Por Gerson Nogueira
Fiquei agradavelmente surpreso nos últimos dias ao descobrir que meu técnico preferido é também alvo da admiração de figuras respeitáveis no futebol contemporâneo. Refiro-me a Marcelo Bielsa, o sisudo e inventivo treinador que mantém longa relação de amor e ódio com a torcida argentina.
Divide opiniões, mas seu talento jamais foi questionado desde que despontou no modesto Newell’s Old Boys, cujo nome é mais grandioso que a história de poucas conquistas. Foi zagueiro e depois se tornou técnico.
Bielsa mostrou serviço no Newell’s e logo alcançou reconhecimento nacional. Chegou à seleção às vésperas da Copa do Mundo de 2002, substituindo Daniel Passarella. Classificou a Argentina em primeiro lugar nas eliminatórias, mas caiu logo na primeira fase daquele mundial. Mantido na função, seguiu trabalhando e, dois anos depois, acabou ganhando a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas.
De comportamento arredio e obstinado na preparação de seus times, Bielsa granjeou respeito e prestígio entre seus patrícios, até pelo desapego. Alegando questões pessoais, deixou a seleção em 2004. Pelo jeitão de cientista louco e atitudes inusitadas como essa, virou El Loco. Três anos depois, aceitou empreender um trabalho de reconstrução do combalido futebol chileno. Bem sucedido, virou ídolo da torcida.
Acompanho seu trabalho desde o final dos anos 90, atento à qualidade técnica dos times que dirigia. Fiquei ainda mais impressionado com o desempenho do Chile sob sua batuta. Revelou/estimulou o surgimento de toda uma nova geração de jogadores e deu respeitabilidade a uma seleção que tinha virado piada no continente desde o episódio Rojas. Fiz questão de ver seu time jogar na Copa de 2010. Não me decepcionei.
Sempre desprendido, deixou o Chile por discordar dos novos dirigentes. Em julho de 2011, assumiu o Athletic Bilbao. Sem nenhum craque à disposição, tratou de valorizar jovens atletas, treinando-os sob sua filosofia, que consiste em aproximação permanente, velocidade e troca incessante de passes.
Admirado pelos melhores técnicos do planeta, incluindo Pep Guardiola (Barcelona) e Alex Ferguson (Manchester United), Bielsa mantém o estilo que o consagrou. Ao contrário da imensa maioria dos “professores” brasileiros, é um cultor da dedicação extremada aos treinos. E estamos falando de treinos de verdade, com prática de fundamentos e experimentação tática.
Já se sabe que El Loco não levará o Athletic ao título espanhol, mas conquistou o coração do País Basco pelas demonstrações de entrega visceral ao trabalho. E, obviamente, pelos bons resultados, como o nó aplicado no Manchester de Ferguson em seus domínios e a classificação para a Copa do Rei, quando irá se defrontar com o Barcelona de Guardiola e Lionel Messi, que também surgiu no Newell’s Old Boys.
Precisava falar sobre Bielsa, sobre quem já havia escrito artigos durante a Copa do Mundo de 2006. Ao contrário de Bianchi, outro grande preparador argentino, Bielsa é um inventor, não um mero repetidor de fórmulas. Gosta de montar times ao seu modo, obcecado que é por arte e inteligência. Só por isso já mereceria meu respeito.
Samuel Cândido não aceitou a oferta do Cametá, que decidiu contratar Sinomar Naves. Ironicamente, um dia depois de recusar a proposta, Samuel foi dispensado pelo Rio Branco (AC). Coisas do futebol.

Paissandu e Independente se enfrentam em jogo decisivo. A caminhada de Lecheva no returno é positiva, mas o time alterna boas e más atuações. Jogou razoavelmente contra o Remo, domingo, mas passou apertado pelo Águia uma semana antes. Já o Independente busca reabilitação depois da inesperada derrota em casa frente ao São Raimundo. A vitória praticamente classifica, mas o empate é ruim para os dois times.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 28)
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