Por Gerson Nogueira
Pela ducentésima vez, as “organizadas” Mancha Verde e Gaviões da Fiel estão proibidas de entrar nos estádios de São Paulo. Seria ridículo se não fosse trágico. Na verdade, as medidas anunciadas ontem depois de mais uma carnificina dentro e fora do estádio do Pacaembu, na capital paulista, são inócuas, quase risíveis. Não adianta se iludir. Em semanas, a ação criminosa das gangues será esquecida e logo elas voltarão a fazer novas vítimas e praticar outros crimes.
Uma violenta batalha de rua tingiu de sangue a tarde de domingo na capital paulista. Mais de 300 integrantes das duas facções se envolveram na briga, possivelmente agendada pelas redes sociais da internet.
Entre facadas, pauladas e tiros, o saldo final foi a morte de um torcedor palmeirense de 21 anos, baleado na cabeça, e mais oito feridos, inclusive um jovem ainda hospitalizado em estado grave.
A Justiça tenta coibir a existência das organizações criminosas, proibindo faixas, camisas e bandeiras, mas sempre aparecem meios de burlar as proibições. Uma simples troca de nome serve para driblar a determinação judicial. Foi o que aconteceu aqui em Belém com as torcidas organizadas que se dizem vinculadas a Remo e Paissandu.
Na Europa, os hoolligans foram contidos com ações enérgicas da polícia e da Justiça. A repressão veio acompanhada do monitoramento dos criminosos, que tiveram seus nomes fichados e passaram a ser observados durante os jogos. Os reincidentes foram presos e condenados a não entrar nos estádios. Em alguns casos, a pena consistia de cumprimento de trabalho voluntário na mesma hora das partidas.
Entre nós, porém, reina a impunidade a partir do afrouxamento das medidas punitivas. A tolerância excessiva por parte das autoridades é reforçada pela promíscua relação entre alguns jogadores e as gangues organizadas. Lembro que, quando o juiz Marco Antonio Castelo Branco lavrou a histórica sentença de extinção das organizadas de Belém, houve quem publicamente se manifestasse contra, lamentando a decisão como se tais grupos exercessem algum outro papel além de disseminar violência e medo nos estádios.
A dois anos da Copa do Mundo, o Brasil está muito atrasado no combate a essa criminalidade que nasce em torno dos clubes e ameaça de morte o futebol como espetáculo sadio. Algo precisa ser feito, com urgência.
Leio no Esporte Total Pará (http://esportetotalpara.blogspot.com.br), do repórter Michel Anderson, que tem outro artilheiro paraense se destacando em outros centros. Trata-se de Silas (ex-São Francisco), que está no Capivariano na série A3 Paulista e já marcou 11 gols, ocupando a vice-liderança entre os artilheiros. Engraçado como esses jogadores passam pelo nosso futebol, nem sempre são notados e acabam brilhando lá fora. Será que o Silas é inferior, por exemplo, ao Adriano Magrão?
A Internazionale de Milão vai se notabilizando como trituradora de técnicos. Parece até clube brasileiro. Em má fase, demitiu ontem Claudio Ranieri depois de perder para a Juventus no certame italiano. É a quarta cabeça a rolar no clube nerazzurro nos últimos 12 meses, índice inusitado para os padrões europeus. Antes, dançaram Gian Piero Gasperini, Leonardo e Rafa Benitez. O argentino Marcelo “El Loco” Bielsa, sobre quem pretendo escrever amanhã, é o mais cotado para assumir a parada.
Sinomar Naves, que fracassou com o Remo no primeiro turno, ganha nova chance de conquistar o bicampeonato. Era a segunda opção da diretoria do Cametá para substituir Cacaio, mas acabou ficando com o cargo depois que Samuel Cândido recusou a proposta.
Sinomar herda um time em visível crise de identidade e um clube aperreado para manter os salários em dia, mas com a excepcional vantagem de já estar na decisão do campeonato. Com bons jogadores (Ratinho, Paty, Maciel, Jailson, Paulo de Tarso e Soares) no elenco, pode repetir a façanha do Independente em 2011.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 27)
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