Nada mudou em relação à situação anterior do Paissandu, mas muita gente murchou com a vitória do América sobre o Luverdense, ontem, em Lucas do Rio Verde. É claro que ficou um pouco mais difícil, pois o empate era o resultado mais interessante, mas o fato é que permanece a situação obrigatória para os comandados de Andrade: vencer os dois jogos que restam, para não ficar à espera de qualquer combinação de resultados.
O que, em outras palavras, significa que o Paissandu depende exclusivamente de suas forças para arrancar esse escorregadio acesso à Série B. A rigor, os cálculos que todos se põem a fazer quanto ao futuro do time na competição terminam numa questão fundamental.
Pouco importa se o América vai tropeçar ou não no CRB se o Paissandu não passar pelo Luverdense na quarta-feira, no Mangueirão. É preciso fazer o dever de casa antes de pensar no resultado do concorrente. Todas as projeções caem por terra diante dessa missão, até porque a batalha final contra os americanos em Goianinha (RN) é inevitável.
Luciano Henrique, que esteve ontem no Bola na Torre (RBATV), avalia como positivo o ambiente do Paissandu às vésperas dos jogos decisivos e mais importantes da temporada. Tirando o fato de que o meia-armador diria isso de qualquer maneira, mesmo que a barra estivesse pesada, é visível que Andrade conseguiu celebrar um pacto de não-agressão entre as facções internas. É uma evolução, se comparado ao clima de beligerância que imperava sob o comando de Edson Gaúcho, vitimado por uma arapuca poderosa de veteranos insatisfeitos.
A partir de agora, a 180 minutos do paraíso (ou do inferno), o Paissandu não pode mais se dar ao luxo de perder tempo com mexericos e futricas de bastidores. E não merece sofrer de novo pelas mãos inábeis de dirigentes atrapalhados. Andrade precisa de paz para trabalhar e salvar a campanha.
Foi a maior goleada do novo Remo, com jogadas que tiveram a participação de todos os jogadores de meio-campo e ataque, anteontem, em Barcarena. A quantidade de gols não mede o nível da preparação técnica do time, mas, indiscutivelmente, dá mais confiança a todos. De novo, o grande destaque foi o lateral Cametazinho, revelação dessa fase do trabalho de Sinomar Naves. O anúncio de alguns reforços parece ter surtido um efeito positivo sobre a equipe, que parecia mais solta e desembaraçada.
E, como prêmio para a torcida e para o próprio clube, a diretoria anunciou que desistiu do Serginho, que de repente parou de fazer contatos, bem ao seu estilo. Espera-se que a má idéia de trazer o volante esteja definitivamente descartada.
Há uma semana, depois do revés frente ao Figueirense, joguei a toalha quanto às ambições de título do Botafogo neste equilibradíssimo Campeonato Brasileiro. Ficou mais ou menos óbvio jogo que o campeonato até queria o Botafogo, mas o Botafogo, por algum motivo tosco qualquer, não queria o campeonato. Depois da derrota de ontem, começo a temer até pela vaga à Libertadores. E o título está mesmo entre Vasco e Corinthians, clubes que demonstram mais ânimo para levantar a taça, apesar de todas as imperfeições de cada um.
Nas homenagens aos melhores camisas 11 do futebol brasileiro, na última quinta-feira, notei a ausência de menções a Júlio César, o Uri Gheller, que fazia estragos pela faixa canhota do campo. Foi um dos mais nobres representantes da confraria de dribladores, desfilando seu imenso talento pelo Flamengo e pelo Remo. Seu único azar foi não ter um empresário tão bom quanto o de Denílson, o pipoqueiro inútil.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 14)
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