Reina quase unanimidade entre torcedores e cronistas esportivos quanto à necessidade de escalação do trio Tiago Potiguar, Robinho e Héliton para o jogo decisivo do Paissandu em Rio Branco, domingo. Aliás, normalmente contraditória quanto às preferências, a torcida desta vez parece saber exatamente o que quer.
No fim das contas, esse posicionamento da massa torcedora é até natural e tem origem na constatação de que o time não consegue envolver seus adversários na Série C. É uma dificuldade crônica, que se evidencia em todos os jogos disputados pelo Paissandu na competição.
Claro que a receita ideal para adicionar capacidade técnica a uma equipe passa pela estrutura de criação no meio-campo. Na configuração atual, priorizando a marcação, o Paissandu é incapaz de construir uma boa sequência de jogadas. Com isso, é facilmente anulado por qualquer oponente. Não por acaso, todos os seus jogos tiveram escores magros, confirmando a timidez ofensiva.
Logo na estréia, apesar do excelente resultado (1 a 0 diante do Araguaína, fora de casa), a equipe apresentou sérios problemas na articulação, apesar de boa desenvoltura no ataque.
Diante da torcida, no Mangueirão, contra o Rio Branco, um tropeço provocado pela verdadeira barafunda tática e o baixo rendimento de alguns jogadores – Tiago Potiguar e Fábio, principalmente. A vitória, dada como favas contadas, derivou para um empate frustrante.
Depois, veio o Águia e o triunfo caiu do céu, aos 48 do segundo tempo, em jogada de bate-rebate na área marabaense. Cabe lembrar que, ao longo do segundo tempo, o visitante esteve sempre mais perto de marcar o segundo gol, vacilando apenas no instante final. Potiguar jogou um primeiro tempo quase impecável, mas foi sacado no intervalo.
Contra o Luverdense, em Lucas do Rio Verde, o time se perdeu nas confusões de um 3-5-2 não treinado. Fez o primeiro gol, mas cedeu o empate. Os melhores momentos coincidiram com a entrada de Potiguar.
Em Marabá, contra o Águia, aconteceu a única derrota, embora o revés já tivesse se desenhado nas rodadas anteriores. Coincidência ou não, o time subiu de produção novamente quando Potiguar (autor do gol alviceleste) entrou.
O sufoco entrou em campo novamente diante do Luverdense, na Curuzu, quando o gol saiu aos 30 minutos do segundo tempo em jogada fortuita e imediatamente posterior a um ataque fulminante do visitante, salvo por milagre pelo competente Fávaro.
Esse quadro de aperreios no campeonato sinaliza para um embate encarniçado na Arena da Floresta, em circunstâncias agravadas pela necessidade que o dono da casa tem de vencer a partida. O desenho de time esboçado até agora por Roberto Fernandes não poderia ser mais preocupante: um 3-5-2, com uma aglomeração de volantes (Pontes, Charles e Diguinho), apenas um meia (provavelmente Luciano Henrique) e dois atacantes, entre os quais o imexível Josiel. Algo precisa acontecer na semana de treinos para que o Paissandu não se atrapalhe já na escalação.
O Luverdense, que ainda tem chances matemáticas de classificação, parece já estar enrolando a bandeira: anunciou ontem a dispensa de quatro jogadores, entre os quais o bom zagueiro Bolacha. Notícia que soa como música aos ouvidos do Águia e aumenta a preocupação alviceleste.
Direto do blog
“Quando hors-concours, Paulo Henrique Ganso não sofria de mau-olhado. Era a preferência nacional e ninguém se preocupava com ‘vibrações’ que pudessem embaraçá-lo. Se os ‘banhos’ do Ver-o-Peso resolvessem, nossos clubes estariam numa boa e aí mandaríamos uma boa receita para o Ganso”.
De Tavernard Neves, cronista dos bons, desmontando a tese da uruca em torno do nosso PHG.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 7)
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