Diego Forlán, o melhor jogador da última Copa do Mundo, deu ontem um grande depoimento descrevendo com simplicidade o que acontece na atual Copa América. A eliminação dos gigantes Argentina e Brasil, eternos favoritos, estabelece novas bases para se avaliar o futebol do continente. O fato é que o mapa da bola está virado pelo avesso. Peru e Venezuela, tradicionais sacos de pancada, estão surpreendentemente nas semifinais do torneio continental.
Forlán não disse, mas a indigência técnica é a principal marca desta Copa América. Não há uma seleção que possa ser avaliada como deslumbrante. A coisa é tão grave que nenhum jogador de linha brilhou até aqui. Os grandes nomes da competição são os goleiros Muslera (Uruguai) e Villar (Paraguai).
Até os reconhecidamente bons, como o próprio Forlán e Lionel Messi, desceram ao nível dos pernas-de-pau. Com o nivelamento das equipes, prevalecem os esquemas fechados e a marcação de padrão bovino, como a que o Paraguai executou contra o Brasil domingo.
Não se pode, contudo, atribuir a pobreza da competição – que teve quatro empates em 0 a 0 nas primeiras rodadas – aos emergentes. Pelo contrário. A responsabilidade maior pela decadência deve ser creditada aos bichos papões.
Argentina e Brasil são os maiores culpados pela fase ruim do futebol sul-americano com seus craques “estrangeiros” completamente exauridos pelo esforço na temporada européia. A distorção estoura, em níveis mais amplos, nas Copas do Mundo, disputadas nesta mesma época do ano. Não por acaso, o Velho Continente deitou e rolou nos últimos mundiais. Itália x França decidiram em 2006 e Espanha x Holanda em 2010.
Não que se deva atribuir tudo ao problema do calendário. Em edições recentes da Copa América, já havia a mesma situação e ainda assim o futebol foi de nível satisfatório. Desta vez, porém, o cansaço físico se juntou à ausência completa de inspiração, resultando no fiasco atual.
Pode-se dizer que foi a estréia praticamente perfeita. O Paissandu, ao contrário de tantos outros começos de torneios nacionais, debutou com vitória na Série C 2011. O placar foi magro (1 a 0), mas podia ter sido por dois ou três gols. Rafael Oliveira, Robinho, Héliton e Charles Vagner perderam boas chances. Contra um adversário desconhecido, o time resistiu bem ao desentrosamento e à falta de ritmo de alguns jogadores. Perdeu Rodrigo Pontes na metade do 2º tempo, mas soube se segurar na marcação e ainda levou muito perigo nos contragolpes. O ataque foi menos agudo do que poderia ser, mas a defesa exibiu segurança com Márcio Santos e Vagner. Aliás, fazia tempo que o Paissandu não tinha beques tão firmes.
O resultado projeta Mangueirão lotado para as próximas partidas, contra Rio Branco (AC) e Águia. Em caso de novos triunfos, a classificação à próxima fase fica praticamente selada.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 19)
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