Mano Menezes achou que o Brasil jogou bem, o que é preocupante. O técnico da Seleção deveria ter visão mais próxima da realidade e o fato é que o Brasil venceu, se classificou para a próxima fase da Copa América, mas voltou a atuar sem convencer.
O placar final de 4 a 2 dá a falsa impressão de resultado cômodo. Não foi. Até o começo do segundo tempo, o empate era o placar mais provável, por força da confusa atuação brasileira. O time repetiu os mesmos erros das partidas anteriores, pecando principalmente na ausência de organização no meio-de-campo e dificuldades terríveis para sair da defesa ao ataque.
Soa estranho que um sistema que privilegia a armação, com Ganso e Robinho, não produza o efeito esperado. O ataque segue desarticulado em relação ao meio e até os volantes contrariam o posicionamento natural, aparecendo várias vezes à frente dos meias.
Não que exista qualquer proibição quanto a isso, mas é uma inversão que desafia a lógica, pois os armadores são, teoricamente, os jogadores mais indicados para a aproximação com os atacantes.
Para complicar ainda mais o pagode, a defesa decidiu fazer das suas. Lúcio e Júlio César falharam desastrosamente no primeiro gol equatoriano, com direito a uma espalhafatosa queda do zagueiro e um peru do goleiro. No segundo gol, Tiago Silva juntou-se a Júlio César na produção de outro lance infeliz da defensiva nacional.
De positivo na atuação da equipe, com contribuição decisiva para a vitória, pode-se destacar a movimentação da dupla de frente, Neymar e Alexandre Pato. Ambos se movimentaram muito, sem guardar posição na área e procurando abrir espaços para meias e laterais. Os quatro gols não foram produto do acaso.
Maicon, que barrou Daniel Alves na lateral direita, foi outro ponto alto da Seleção. Correu como sempre e foi à linha de fundo onze vezes, acertando cinco bons cruzamentos, entre os quais o que propiciou o quarto gol.
A capacidade de reverter uma situação que começava a ficar dramática também deve ser ressaltada. E isso se deve, acima de tudo, à firme determinação dos atacantes, aparentemente mordidos com as críticas públicas do capitão Lúcio na véspera.
Pato e Neymar pareciam ligados alguns volts acima dos demais companheiros – inclusive Ganso, que teve desempenho dos mais discretos. Ainda assim, participou da criação de dois gols (o segundo e o terceiro).
Um detalhe se repetiu e precisa ser corrigido para o jogo contra o Paraguai, domingo. A afoiteza atrapalha as manobras. A troca de passes, lenta e previsível, é facilmente neutralizada. E salta aos olhos que Ganso ainda não está à vontade. Parece não ter encontrado lugar no time. Toca na bola sem confiança, evita avançar com a bola e ontem não deu um chute a gol. É pouco para o muito que se espera dele na Seleção.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 14)

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