A coisa foi feia ao longo de 60 minutos – o primeiro tempo chegou a dar sono –, mas a partida foi salva pelos quatro gols nos 25 minutos finais e, mais ainda, pelos gols que salvaram o Independente Tucuruí num espaço de apenas três minutos. Com final tão eletrizante, o título do returno foi ainda mais valorizado, mas o torcedor que lotou o estádio Navegantão passou por verdadeira montanha-russa emocional, por obra e graça do esquema excessivamente pragmático de Sinomar Naves.
Ficou claro durante o primeiro tempo que o Independente estava com o regulamento grudado no sovaco, como se dizia nas peladas lá em Baião. Podendo até perder, o time abusou dos cuidados defensivos, plantando-se atrás da linha do meio-de-campo e só atacando de vez em quando.
Os habilidosos Marçal, Gian e Joãozinho recuavam para marcar em seu próprio campo, praticamente abrindo mão de aventuras ofensivas. Por força desse espaço concedido, o Cametá até ensaiou tomar conta das ações. Leandro Cearense perdeu um gol logo no começo e depois mandou bola na trave. Só aí o Independente acordou e foi à frente. Joãozinho também disparou um chute na trave de André Luís.
Na etapa final, as coisas seguiram mornas até os 20 minutos, quando Leandro Cearense invadiu pela direita e acertou o pé, fazendo 1 a 0. Atordoado, o Independente não sabia o que fazer: se corria em busca do empate ou se continuava no banho-maria. Por comodismo, seguiu tocando bola em seu campo, satisfeito com o placar que ainda lhe beneficiava.
Nessa toada, passaram-se 15 minutos até o gol de Joatan, escorando cruzamento para a área do Independente. O desespero que se abateu sobre o time de Sinomar podia ter virado tragédia aos 43 minutos, quando Balão puxou um contra-ataque e, cara a cara com Dida, bateu pelo alto e o goleiro se esticou para uma defesa milagrosa. Era a bola do jogo.
Um minuto depois, o Independente achou o caminho das redes. Bola erguida na área foi desviada de cabeça e caiu nos pés de Wegno, que acabou expulso ao comemorar o gol sem camisa. O Independente recobrou o gosto pelo ataque e, três minutos depois, chegou ao empate em contra-ataque mortal de Joãozinho.
Apesar dos sustos de ontem, a conquista é merecida, coroando o trabalho desenvolvido por Sinomar Naves. Com elenco limitado em várias posições, conseguiu levar o Independente às semifinais do turno e manteve a pegada no returno. Vai decidir o título estadual com reais possibilidades de vitória, desde que não dê tanta sopa assim diante do Paissandu.
Em Barcarena, sábado, Roberto Fernandes botou em campo praticamente todo o elenco do Paissandu no jogo-treino contra o Barcarenense. O esforço foi tanto que até Sandro teve que entrar em ação. A vitória por 2 a 1 pouco significa, mas alguns jogadores podem ter chance nas finais do Parazão. Héliton, Marquinhos, Zeziel e Diguinho são os mais cotados.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 13)
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