Roberto Fernandes é a bola da vez. Assim como Givanildo Oliveira veio para o Remo há duas semanas, o novo treinador chega sob o signo da esperança para o Paissandu. Depois de cinco meses sob a batuta de Sérgio Cosme, cujo santo nunca bateu com o da torcida, a diretoria prepara-se para fazer as pazes com a Fiel.
A insatisfação com o ex-técnico, acompanhada de desconfiança em relação ao presidente, levaram a um fenômeno curioso: mesmo ganhando o turno sem maiores atropelos, o time jogou quase sempre para arquibancadas vazias. Talvez o reflexo mais positivo da contratação de Fernandes seja esse reencontro com a massa, às vésperas da decisão do campeonato.
Em função desse pacto não declarado, visível na reação positiva do torcedor ao anúncio do nome de Fernandes, o Paissandu credencia-se ainda mais como favorito à conquista do tri. Mas é bom que o torcedor não transforme o técnico em salvador da pátria.
Fernandes tem credenciais, trabalhou em boas equipes, mas não opera milagres. O elenco é sabidamente limitado. Existem deficiências sérias na defesa, laterais e meio-de-campo. O desafio, para os dois jogos decisivos, será estruturar um time competitivo, capaz de superar as fracas atuações do segundo turno, quando sequer conseguiu chegar às semifinais.
É provável que a mudança de comando reanime o grupo e inspire melhoria no rendimento dos jogadores. O inconveniente é que o treinador foi trazido para a campanha na Série C, mas antes encara a prova de fogo da final do campeonato. Como o adversário vem do interior do Estado, na condição de franco-atirador, toda a pressão estará com o Paissandu.
É aquela velha história: se vencer, não fez mais do que a obrigação. Caso perca, terá que contabilizar o ônus da frustração do torcedor. E o sucesso na preparação para a Série C está diretamente atrelado ao êxito na conquista do tricampeonato estadual.
Com a Fifa abalada por uma saraivada de denúncias, Joseph Blatter foi praticamente aclamado ontem para mais quatro anos de mandato. Vai presidir a entidade sob previsível bombardeio de acusações, mas parece indiferente ao fato. Prova eloquente de que cartolagem habita um universo paralelo, imune ao clamor das ruas.
Depois das seguidas presepadas da gestão passada, a atual diretoria do Remo tem o dever estatutário de preservar o clube de novos vexames públicos. Apelar ao tapetão por um resultado que não conquistou em campo é gesto inoportuno e desgastante. Pode até ser legal, mas é antipático e pouco nobre. Denunciar suposta condição irregular de um atleta do Independente não diminui o tamanho do prejuízo representado pela eliminação do campeonato e a perda da vaga à Série D. Pior: corre o sério risco de sofrer uma nova derrota.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 2)
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