O Remo entendeu, finalmente, que o momento é crítico. Dramático até. Uma derrota na semifinal contra o Independente pode representar um segundo semestre sem calendário, receitas zeradas e novas turbulências com a Justiça Trabalhista. O afastamento de Paulo Comelli e a aposta no experiente Givanildo Oliveira confirmam a determinação da diretoria em ajustar a rota para evitar o caos.
A pífia apresentação em Tucuruí, domingo, foi a gota d’água. Mas é fato que a relação entre Comelli e a direção estava esgarçada. O time treinava pouco e o técnico mexia sempre muito mal durante os jogos, fazendo renascer o fantasma de Giba, responsável pelo fiasco na Série D 2010.
Contra Comelli havia também a lembrança do desastre na semifinal do turno, depois de boa campanha na etapa classificatória. O apagão de 21 minutos no Parque do Bacurau e a goleada de 7 a 4 no confronto com o Cametá frustrou os planos de garantir a vaga na Série D logo de cara. Na conta do treinador, a insistência com o zagueiro Paulo Sérgio, indicação sua. Apesar do desgaste com a eliminação, Comelli foi mantido.
Depois de ligeira turbulência pelo motim dos jogadores, reclamando atraso salarial de 13 dias, o time iniciou o returno perdendo em Santarém para o São Raimundo depois de desfrutar de 12 dias de folga na tabela. Ocorre que a Semana Santa havia sido desperdiçada com folgas e pescarias.
A partir da segunda rodada, o time reencontrou as vitórias e se classificou às semifinais, apesar de jornadas pouco convincentes sobre Castanhal, Águia e Tuna. O treinador dava prioridade aos atletas de sua confiança, irritando dirigentes e torcida. Fininho, um dos destaques da primeira fase do Parazão pela Tuna, quase não teve chances. Gleison e Betinho, idem.
Givanildo passou outras quatro vezes pelo Baenão e nas duas últimas não deixou saudades. Mas, para a encruzilhada em que o Remo se encontra, é o nome mais adequado. Tem experiência, pulso, aura de vencedor e conhece a realidade local. Seu problema será o pouquíssimo tempo para botar o time em condições de enfrentar a sequência de decisões.
Quem testemunhou a alegria reinante na mesa que reuniu diretores do Paissandu e membros da comissão técnica, domingo à noite, em movimentado restaurante da Doca, ficou com a quase certeza de que o técnico Sérgio Cosme terá vida longa no clube. O grupo de convivas comemorava a vitória sobre o São Raimundo por 3 a 1.
No jantar, não faltaram nem animados passos de dança por parte do presidente Luiz Omar Pinheiro e do próprio Cosme. O rega-bofe entrou pela madrugada e, pela afinidade demonstrada, cartola e treinador parecem mais entrosados do que nunca.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 17)
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