Coisas curiosas ocorrem neste Campeonato Paraense, talvez o de mais forte participação interiorana das últimas edições – sem esquecer que é também o mais enlameado de todos. O fato é que nunca antes na centenária história do torneio os pequenos estiveram tão competitivos num turno da competição. Passada a quarta rodada do returno, três emergentes – Independente, Cametá e São Raimundo – situam-se entre os quatro primeiros colocados.
Mais que isso: o campeão do primeiro turno e dono da melhor campanha no Campeonato Paraense periga ficar fora das finais do returno. O Paissandu, derrotado domingo pelo Cametá, permanece com quatro pontos, a cinco de distância dos líderes desta fase.
Em função do previsível tropeço no enlameado Parque do Bacurau, o time de Sérgio Cosme vai para o Re-Pa decidir sua sorte no returno. Até um empate diante do maior rival praticamente afasta o Paissandu das semifinais, empurrando-a para uma inter-temporada forçada de quase um mês – período de tempo entre a decisão do segundo turno e as finais do campeonato.
Caso esse quadro se confirme, o inconveniente da situação está menos no período de inatividade e mais na perda de ritmo para a fase mais importante do torneio. Como se sabe, equipes que vencem a segunda etapa do campeonato costumam chegar mais entrosadas e embaladas à decisão.
Por outro lado, em caso de vitória no domingo, o Paissandu retoma fôlego para brigar pelo título da Taça Estado do Pará e a conseqüente conquista antecipada do tricampeonato estadual. Já o Remo corre o sério risco de perder o embalo se tropeçar no clássico, já que abrirá espaço para a passagem do São Raimundo, que tem sete pontos ganhos.
Vale lembrar que a quinta rodada, além do Re-Pa, terá jogos teoricamente favoráveis aos mandantes: Independente x Tuna, São Raimundo x Castanhal e Cametá x Águia. Confirmado o favoritismo, os três avançam e a mudança na parte de cima da tabela de classificação dependerá do desfecho do choque-rei.
Com base na pontuação geral do turno passado, times que ultrapassarem a casa dos 11 pontos estarão automaticamente classificados para as semifinais. Por essa projeção simples, pode-se considerar que Cametá e Independente já estão lá (ambos, por sinal, foram semifinalistas na primeira fase). Restam apenas duas vagas, a serem disputadas por Remo, São Raimundo e Paissandu.
Longe de sinalizar a chamada democratização do nosso futebol, o avanço dos emergentes é apenas um reflexo claro da acumulação de pecados acumulados pelos grandes clubes da capital. Remo e Paissandu desceram tanto na escala social que permitiram o avanço natural de times medianos tão cheios de vícios quanto os dois irmãos mais velhos. O equívoco está em enxergar evolução onde há apenas decadência.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 26)
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