O grande nome do jogo foi, acima de todas as suspeitas, Robinho. Ignorou a pressão pelo fato de haver firmado pré-contrato com o Paissandu e procurou mostrar o que sabe. E, mais uma vez, mostrou que sabe muito. Organizou a meia cancha cametaense, fez lançamentos para Leandro Cearense e tomou até a iniciativa de resolver o jogo.
Em duas situações, aos 8 e aos 17 minutos do primeiro tempo, avançou com a bola dominada, driblando seus marcadores. No lance inicial, foi contido com falta. Na segunda vez, Robinho empreendeu a mais bonita jogada da tarde no Parque do Bacurau: driblou três defensores do Paissandu e arrematou à esquerda da trave, agitando a pequena torcida.
Acontece que o Cametá tem um bom time, toca muito bem a bola, mas tem problemas de definição quando seus laterais não podem apoiar o ataque. Ontem, Américo até subia para ajudar, mas Mocajuba ficava preso na marcação a Héliton, posicionado por Sérgio Cosme na extrema direita.
A vitória do Paissandu na primeira etapa – gol achado por Héliton, aos 27 minutos – soou como duro castigo para o Cametá e também para Robinho, que não merecia perder pela bola redonda que jogava. O segundo tempo recolocaria as coisas nos trilhos, depois que Fran Costa criou coragem e fez duas mexidas providenciais.
Cassiano e Balão substituíram Armando e Balão Marabá. Foi o que bastou para o Cametá mudar por completo. O primeiro gol foi amadurecendo e a superioridade do Cametá podia ser medida pela sequência de faltas obtidas junto à área alviceleste.
Quis o destino que uma dessas cobranças, aos 17 minutos, resultasse no empate. Leandro Cearense bateu de curva e obrigou Ney a espalmar nos pés errados: Elton Lira tocou na bola e deixou tudo igual no placar. Logo a seguir, Robinho e Cassiano tiveram chances para ampliar.
Levou mais dez minutos para que a virada se consumasse. E o lance foi até despretensioso. Bola chutada de longe esbarrou na zaga e encontrou Cassiano entre os zagueiros. Ele avançou e bateu fora do alcance de Ney. Instantes depois, Balão invadiu a área e foi derrubado pelo atrapalhado Elton Lira. Pênalti claro que o árbitro Andrei da Silva e Silva não marcou. Pior: deu o segundo amarelo e expulsou Balão, por simulação.
Em função desse erro da arbitragem, a partida acabou perdendo prematuramente Robinho, que foi substituído para que o Cametá reforçasse o setor defensivo. Apesar disso, o meia já havia dado seu recado em campo, provando a todos que o acordo com o Paissandu não interferiu no seu rendimento. Craques agem assim, mostrando do que são capazes dentro das quatro linhas – mesmo que o campo seja um verdadeiro atoleiro.
Sérgio Cosme mirou no Re-Pa e esqueceu que precisava passar primeiro pelo Cametá. Pode ter cometido um equívoco irrecuperável.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 25)
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