O Remo jogou ontem como fazia no começo do campeonato, explorando a velocidade e a habilidade de seus principais jogadores. A volta ao esquema antigo deu certo. Foram criadas muitas oportunidades de gol e o placar podia ter sido mais folgado, mas Rodrigo Dantas e Jailton Paraíba perderam chances preciosas no primeiro tempo. Dantas ainda desperdiçou um pênalti na etapa final.
Nos minutos iniciais, com o desembaraço do Cametá nas ações ofensivas, ficou a impressão de que seria um embate duríssimo. Com o passar do tempo, o Remo foi dominando as ações e encurralou o time de Fran Costa em seu próprio campo. Robinho e Leandro Cearense, sob vigilância de San e Mael, quase nada produziam.
E o Remo ia criando oportunidades, e perdendo gols. Ratinho, Tiaguinho, Jailton, Rodrigo Dantas e até Diego Barros desfrutaram de grandes chances. A maior de todas esteve nos pés de Jailton, aos 43 minutos. Ele ganhou pelo alto uma disputa com a zaga e partiu livre para a área, mas inventou de driblar André Luís e foi desarmado.
Paulo Comelli posicionou Ratinho mais recuado, soltando Tiaguinho para trabalhar nas jogadas com Rodrigo e Jailton, mas o ataque ganhava em qualidade quanto Ratinho se aproximava da área. Apesar da boa produção do meio-de-campo, a entrada de Tiago Marabá no segundo tempo tornou o Remo mais agudo nos contragolpes.
Mais afeito à troca de passes, Marabá rapidamente se entendeu com Dantas e passou a levar perigo em quase todos os avanços sobre a área cametaense. O gol aos 16 minutos coroou sua boa participação, mas ele ainda criaria algumas outras situações interessantes, incluindo o passe para Marlon perder o segundo gol aos 21 minutos.
Também houve participação aguda de Marabá e Moisés (que substituiu a Tiaguinho) no lance que levou ao pênalti sobre Dantas, aos 30 minutos. Foi novamente uma manobra que começou com bola roubada na meia cancha e avanço rápido pelo lado direito. No cruzamento para a área, o atacante foi puxado por Rubran. A má cobrança deixou o estreante em dívida com a torcida, embora tenha sido útil para o equilíbrio ofensivo do time.
No geral, o Remo atuou bem e voltou à disputa do returno. O sistema defensivo finalmente se mostrou eficiente na marcação a Leandro Cearense e Jailson, que vinham desequilibrando nos confrontos entre as equipes. Na criação, Ratinho e Tiaguinho exibiram momentos desiguais, com destaque maior para o primeiro. No ataque, Jailton lembra Landu pelas arrancadas, mas Marabá passa melhor e é mais comprometido com o time.
A Tuna está certa ao mandar o clássico com o Paissandu no velho Souza. Além do direito como mandante, há a questão matemática: a capacidade do estádio é de 5 mil pessoas e, com exceção da partida decisiva do turno, o Paissandu não conseguiu atrair mais que quatro mil espectadores aos seus jogos na Curuzu. Aliás, o jogo entre ambos no primeiro turno teve pouco mais de 2 mil pagantes.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 12)
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