Na semana marcada pela conquista do turno pelo Paissandu é obrigatório eleger a seleção ideal da primeira metade do campeonato paraense. Para começo de conversa, vou montar o time a partir do ataque, setor mais glamuroso do time. Nesse particular, salta aos olhos a inspirada performance de dois jogadores que brilharam intensamente, contribuindo para a excelente média de gols do campeonato, a melhor dos últimos seis anos. Sem sombra de dúvida, Rafael Oliveira e Leandro Cearense foram as duas grandes figuras da competição e tiveram papel decisivo para a boa campanha de seus times. Rafael é explosivo, veloz e raçudo. Leandro é mais cérebro, precisão e técnica. Qualquer time estaria bem servido com ambos no ataque, cujos estilos se combinam perfeitamente.
Para o meio-de-campo, começo definindo os meias de criação. Robinho foi, disparadamente, o mais criativo jogador da competição. Destacou-se pela qualidade dos lançamentos e também como condutor de bola, revelando-se por vezes um avante arisco e driblador, como no gol contra o Paissandu na primeira partida da final. O segundo meia do escrete é Marçal, principal peça do Independente Tucuruí. De seus passes e gols viveu a equipe de Sinomar Naves.
Os volantes têm perfil operário, como bons volantes devem ser. O primeiro é Alexandre Carioca, que se consolidou como um dos mais regulares do Paissandu, capaz de afetar a produção geral da equipe quando não jogava. O outro homem de marcação é Billy, que também é a revelação do Parazão. Firme no combate, sabe sair jogando com desembaraço e tem excelente presença ofensiva, contribuindo para lances de ataque, como no passe certeiro para o gol de Mendes em Cametá.
Os zagueiros de área são Rafael Morisco e Rubran. O primeiro se salvou pela regularidada ao longo da campanha remista, embora tenha vacilado em gols importantes das semifinais com o Cametá. Já Rubran foi responsável pela estabilização da retaguarda do Cametá, que viva intranquila quando por lá atuava o veterano Pedro Paulo. Bom no jogo aéreo, é também eficiente na cobertura. Uma das boas surpresas do turno.
Nas laterais, Elsinho foi o melhor na competição direta com Américo e Ley. Rápido e habilidoso, o lateral direito transformou-se diversas vezes em mais um atacante no esquema de Paulo Comelli. A lateral-esquerda teve Mocajuba e Fábio como destaques, mas o lateral do Cametá leva a melhor pela agressividade no apoio ao ataque e a firmeza no combate.
Finalmente, no gol, Adriano é o escolhido pela regularidade. Evandro e Fávaro tiveram grandes presenças, mas o tunante esteve sempre bem, salvando-se em meio às ondas de incertezas que rondam a nau cruzmaltina.
Grande parte da torcida do próprio Paissandu vai discordar, mas Sérgio Cosme foi o melhor técnico – não só pelo título, mas pela indiscutível capacidade de reorganizar o esquema depois da perda de Tiago Potiguar nas semifinais contra o Independente. Quando o meia-atacante foi negociado, ninguém apostava um tostão furado no futuro do time na competição. Cosme apostou em Alex Oliveira, mesmo sabendo das limitações físicas do veterano meia. E foi além: liberou mais o atacante Mendes, que até então vivia afastado da grande área. Nas semifinais, Mendes já mostrou serviço. Nas finais, revelou-se crucial para a conquista, marcando três dos cinco gols que valeram o título. Sem ser brilhante, o Paissandu de Cosme soube driblar as fragilidades defensivas e foi sempre eficaz no aproveitamento das chances criadas.
Rapidez no gatilho não foi o forte do Remo neste primeiro turno. Custou a se decidir e perdeu Rafael Oliveira. Teve Mendes na mão e Comelli vetou. Como também desaconselhou a contratação de Leandro Cearense. Finalmente, podia ter contratado Quirino, artilheiro do campeonato potiguar, que estava a fim de disputar o Parazão e não custa caro. Perderam tempo procurando jogador no interior paulista e o veterano centroavante foi parar no Mixto (MS). O Remo precisa acordar.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 27)
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