Público decepcionante (pouco mais de 7 mil pagantes), renda ruim (ainda mais com as despesas absurdas), jogo fraquinho. Se o empate sem gols atrapalhou o Remo, foi péssimo para a Tuna, que saiu do G4 e terá que vencer em Cametá para se classificar às semifinais do turno.
No final da partida, o técnico Flávio Goiano considerou que a Tuna havia jogado de igual para igual. Um erro de perspectiva: atuou como time pequeno, aceitando a pressão do Remo em seu próprio campo e só indo ao ataque em breves escapadas de um homem só, Fabinho. E isso já nos dez minutos finais!
Do lado remista, Paulo Comelli fez análise mais realista: o resultado foi prejudicial aos dois. Esqueceu apenas de emendar que escala um centroavante, mas não sabe o que fazer com ele no ataque. Quando se esperava que Ró fosse o homem a ser acionado com lançamentos longos e cruzamentos, eis que o Remo insiste em ficar trocando passes na intermediária, aguardando uma brecha para finalizar.
Para quem começou o campeonato apenas com um atacante improvisado, Tiago Marabá, Comelli já teve tempo de achar uma maneira de aproveitar os centroavantes à sua disposição, Ró e Max Jari. Com atacantes de ofício, o Remo precisa explorar o jogo aéreo com mais freqüência.
Deu certo contra o Paissandu, que saía para o jogo e ficava com poucos (e fracos) defensores. A Tuna, além de ter uma zaga mais segura, praticamente se defendia com nove. Só de vez em quando tentava uma jogada mais esticada.
Com isso, as tabelinhas e triangulações do Remo não davam liga e esbarravam na canela de um adversário. Isso se repetiu ao longo de todo o jogo, pois a multidão de marcadores não largava do pé de Tiaguinho (depois Rafael Cruz), Léo Franco, Elsinho, Fininho, Marlon e até Adriano Pardal, que entrou nos instantes finais.
Para piorar, quando teve oportunidades claras de gol, com Marlon e Léo Franco, no primeiro tempo, o tiro final saiu torto. Na etapa final, houve o lance do gol de Paulo Sérgio anulado por impedimento e a grande arrancada de Fininho, que também errou no último toque.
Pensando bem, era jogo para 0 a 0 mesmo. A bola pune, segundo o filósofo Muricy. Um time foi punido por não saber finalizar e esquecer seu centroavante. O outro porque entrou apenas para se defender, deu sorte por não ter sofrido gol no primeiro tempo – e ainda saiu festejando uma “perfeição tática” que não existiu.
Como já esperado, Marlon e Luís André cavaram advertências e estão fora do jogo contra o Independente. São peças importantíssimas no esquema de Comelli e ficam livres para encarar as semifinais. O problema é que ambos, talvez pressionados pela necessidade de provocar o terceiro cartão, jogaram muito abaixo do esperado. Marlon teve apenas dois bons momentos no apoio ao ataque. Luís André se perdeu na confusão reinante no meio-de-campo.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 21)
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