O grande jogo se desenrolou no primeiro tempo, quando aconteceram três gols e lances mais agudos. Remo foi mais consistente, teve organização e esforço coletivo. Além disso, apresentou maior repertório de jogadas, invertendo posicionamentos e rodando seus jogadores no ataque. Exercitou o chamado improviso calculado e levou a melhor. Podia, inclusive, ter obtido uma goleada se aproveitasse as facilidades que a zaga do Paissandu ofereceu nos instantes finais.
Desde a saída, o Remo esteve mais presente no ataque, dando os primeiros golpes. Mas, como no boxe, quem ataca tem que nocautear e os azulinos ficaram apenas nas ameaças. Mais objetivo, o Paissandu chegou ao gol num lance de categoria. Sandro fez um lançamento de 40 metros para Rafael Oliveira, que matou a bola e mandou um tiro forte para as redes.
O Remo bambeou nas cordas e propiciou ao Paissandu a grande chance de resolver o jogo. Por uns 10 minutos, o time de Paulo Comelli ficou atarantado, rebatendo bolas na defesa e atropelando o ritmo no meio-de-campo. Aos poucos, porém, foi recobrando a lucidez e passou a explorar o que tem de melhor: a qualidade dos alas Elsinho e Marlon.
No gol de empate, o cruzamento foi de um lado a outro, atravessando a área do Paissandu para achar Marlon no segundo pau. O cabeceio firme venceu o goleiro Nei, que estava no meio do caminho. Entre o primeiro e o segundo gol, de letra, marcado por Tiaguinho, ainda houve um cabeceio de Ró no poste esquerdo do Paissandu.
Sob chuva, o segundo tempo só foi interessante para a torcida azulina, que assistiu um verdadeiro passeio de seu time. A dominação era tão óbvia que o Paissandu, desarrumado da defesa ao ataque, só foi dar um chute a gol aos 23 minutos. San ampliou para 3 a 1, completando passe do zagueiro Rafael Morisco, em jogada de escanteio que Comelli treina bastante.
A diferença entre os times era abissal. Enquanto o Remo saía com a bola sempre de pé em pé, aproveitando-se da boa distribuição de suas peças, o Paissandu sofria com a falta de inspiração de Tiago Potiguar e o cansaço de Sandro, que saiu para a entrada do garoto Djalma. Mendes se posicionava como um armador recuado, longe da área. Rafael Oliveira jogou por ele e pelo time, mas cansou de correr sem rumo.
Caso tivesse mais apuro nas finalizações, o Remo teria disparado uma goleada. Foram pelo menos quatro chances claras de gol, com Morisco, Max Jari, Tiaguinho e Rafael Cruz. Nas circunstâncias, pode-se dizer que o Paissandu saiu no lucro.
Seleção do fim de semana: Evandro (IND); Elsinho (CR), Rafael Morisco (CR), Paulo Sérgio (CR) e Marlon (CR); San (CR), Japonês (TUN), Luís André (CR) e Tiaguinho (CR); Patrick (Águia) e Rafael Oliveira (PSC). (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 14)

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