Pensata: Os meios e os fins

Por Jânio de Freitas

Estava muito esquisito. Precisar fazer estupro, logo na Suécia de tão dourada generosidade? Ainda se fosse na Suíça, nada a estranhar. E reclamação contra assédio masculino? Na Bélgica ainda podia ser. As coisas, porém, afinal voltam à sua natureza nos lugares apropriados. E fica-se sabendo que a acusação a Julian Assange de “estuprar uma mulher sueca e molestar sexualmente outra”, como os meios de comunicação repetem mundo afora há duas semanas, foi não usar preservativo, pode-se supor que com proveito mútuo, e, no outro caso, um ensaio compartilhado.

Mas a conduta dos meios de comunicação não deixou de atingir a reputação de Assange e, com isso, contribuir para a sufocação que governos poderosos buscam aplicar à divulgação que esse valente australiano faz de documentos sigilosos, pelo seu site WikiLeaks. Não estamos só diante de muitos gatos graúdos e um ratinho que lhes roubou pedaços do melhor queijo escondidos com cuidado. É de liberdade de informação que se trata. É do direito dos cidadãos de saber o que seus governos dizem e fazem sorrateiramente, no jogo em que as peças são as comunidades nacionais.

É de jornalismo que se trata. E os meios de comunicação jornalística estão ficando tão mal quanto os países, governos e personagens desnudados pelo Wikileaks. Era a hora de estarem todos em campanha contra os governantes que querem sufocar as revelações. Ou seja, em defesa da liberdade de informação, da própria razão de ser que os jornais, TVs, rádios e revistas propagam ser a sua.

Com escassas exceções, que se saiba, os meios de comunicação estão muito mais identificados com os governos e governantes do que com os cidadãos-leitores e com a liberdade de informação. A união e a contundência que têm na defesa da sua liberdade de empresas, dada como liberdade de imprensa, não se mostra: segue, nos Estados Unidos, o aprendizado imposto pela era Bush e, no restante do Ocidente, os reflexos desse aprendizado sob a paranoia do terrorismo. Os jornalistas profissionais não estão melhor do que os meios de comunicação. Poucos são os seus recursos de expressão, mas, ao que se deduz do noticiário rarefeito, as manifestações de repúdio à pressão contra as revelações do Wikileaks são feitas por leitores/espectadores. Os jornalistas apenas as registram, pouco e mal.

A VÍTIMA
Forçado a demitir-se da relatoria do Orçamento da União para 2011, sob acusação de destinar verbas a entidades fantasmas de suas proximidades, o senador Gim Argello se diz vítima de injustiça. Tem alguma razão. O que se poderia esperar do suplente de Joaquim Roriz? Apesar disso, foi-lhe entregue a seleção, distribuição e criação de verbas para a governança do país. E, quando faz o que lhe é próprio, forçando-no a sair. Tratamento injusto, sem dúvida.

3 comentários em “Pensata: Os meios e os fins

  1. Julian Assange mostrou as entranhas da corrupta elite dirigente internacional. Mostrou, para quem quer fazer jornalismo ousado e verdadeiramente informativo, um novo caminho!! Um jornalismo republicano.
    Gim Argello (mais um sem-voto) mostrou como fazer descaminhos de verbas públicas – seguindo a “renomada” escola rorizista do DF. Exatamente anti-republicana.
    São exemplos a serem (ou não) seguindos. Somos seres livres para esconher qual seguir. Tem gente que prefere o “jeito Argello de ser”.

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  2. QUANDO POSTO AQUI QUE A IMPRENSA TEM MEIO A MEIO DE CULPA OU DE MÉRITO O COLUNISTA FOGE E SEQUER COMENTA OUTROS COMENTARIOS MEUS…A IMPRENSA NÃO TEM QUE FUGIR TEM QUE PARTICIPAR E CRIAR BLOGS SÓ PRA FATURAR FICHAS E FICHAS -TRADUZINDO PRA PERIFERIA DESBOTADA DINHEIRO E DINHERIO -É SÓ UM LIMITE ,PENSAR EM GANHAR FICHA…ACREDITO QUE UM JORNALISTA NASCIDO NUM RECANTO QUER É MESMO SER FIGURA E NÃO FIGURAÇA…CREIO QUE O G .N quer fazer diferença e não ser diferencial financerio ou naõ?

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  3. QUANDO POSTO AQUI QUE A IMPRENSA TEM MEIO A MEIO DE CULPA OU DE MÉRITO O COLUNISTA FOGE E SEQUER COMENTA OUTROS COMENTARIOS MEUS…A IMPRENSA NÃO TEM QUE FUGIR TEM QUE PARTICIPAR E CRIAR BLOGS SÓ PRA FATURAR FICHAS E FICHAS -TRADUZINDO PRA PERIFERIA DESBOTADA DINHEIRO E DINHERIO -É SÓ UM LIMITE ,PENSAR EM GANHAR FICHA…ACREDITO QUE UM JORNALISTA NASCIDO NUM RECANTO QUER É MESMO SER FIGURA E NÃO FIGURAÇA…CREIO QUE O G .N quer fazer diferença e não ser diferencial financerio, ou naõ?

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