A enquete levada ao ar, ontem à noite, no programa Bola na Torre, para avaliar os técnicos contratados pela dupla Re-Pa, terminou com ampla vantagem para a opção remista. Paulo Comelli foi apontado como melhor alternativa por 71% dos telespectadores em comparação com Sérgio Cosme, o treinador anunciado pelo Paissandu no sábado.
Apesar de não ter qualquer valor científico, a pesquisa exprime bem os sentimentos das duas torcidas rivais. O torcedor remista, descrente de tudo após dois anos perdidos no futebol, parece mais animado com a vinda de um técnico que sempre esteve nos planos dos clubes paraenses.
Comelli, mesmo sem grandes títulos no currículo, estabeleceu boa reputação como treinador de equipes medianas do futebol brasileiro, com imagem de técnico sério e trabalhador. Nas condições em que o Remo se encontra, ainda sem divisão a disputar em 2011, sua contratação pela nova diretoria constitui um passo positivo para reerguer o futebol do clube. Não é garantia de sucesso – até porque isso não existe no dicionário da bola –, mas é um começo promissor.
Já nos arraiais alvi-azuis, o anúncio de Sérgio Cosme foi recebido com indisfarçável frustração pela maioria dos torcedores. O fato de Cosme estar em baixa no mercado, sem reeditar nos últimos tempos a fase inicial da carreira, quando treinou Fluminense, Vasco, Grêmio e Santa Cruz.
Talvez a principal razão do desapontamento do torcedor venha da expectativa criada pela diretoria, que chegou a cogitar acerto com Givanildo Oliveira e até mesmo com Sérgio Baresi (ex-São Paulo) e Rogério Lourenço (ex-Flamengo). Em relação a esses nomes, Cosme soou como solução mais barata.
Mas, na mesma proporção em que Comelli não pode ser endeusado antecipadamente, Cosme não deve ser massacrado antes de mostrar trabalho. É um profissional com grande rodagem nos grandes centros e, dependendo dos reforços que indicar, tem plenas condições de recolocar o Paissandu no prumo.
Técnicos não devem ser reprovados de véspera. Normalmente fritados quando seus times não decolam, merecem, no mínimo, o benefício da dúvida. Portanto, a Comelli e Cosme devem ser proporcionados tempo e boas condições de trabalho. E que tenham muita sorte.
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O Fluminense é o legítimo campeão, como todos que acompanham o Círio já sabiam há uma semana. O argentino Conca merece boa parte dos méritos pela conquista. Muricy Ramalho, de estilo chucro dentro e fora de campo, se consolida como um dos mais vitoriosos treinadores do país. A torcida tricolor, há 26 anos sem um título brasileiro, tem mais é que comemorar.
Mas, por mais boa vontade que se tenha, foi um desfecho desanimador. Os três jogos mais importantes foram autênticas peladas, sem atuações dignas dos melhores times do torneio. Ao final, reforcei a convicção de que o campeonato precisa de um urgente choque de emoção. Para isso, é fundamental que volte a ter decisões de verdade.
(Coluna publicada no Bola/DIÁRIO, edição de segunda-feira, 6)
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