Parece que o escudo do Clube do Remo será finalmente devolvido ao pórtico do estádio Evandro Almeida, onde permaneceu por 75 anos até ser retirado a golpes de picareta, durante a madrugada, em ato autorizado pelo próprio presidente Amaro Klautau. Corrige-se uma das páginas mais negras do clube em toda a sua centenária existência.
Ao saber que uma das chapas (Reconstrução e Seriedade) irá patrocinar a recolocação do símbolo na fachada do estádio, o presidente apressou-se em informar ontem que vai recompor o conjunto arquitetônico. Não faz mais que sua obrigação, mas, em respeito ao torcedor e aos associados, deveria juntar à recolocação do escudo um pedido formal de desculpas pelo gesto tresloucado de profanação do patrimônio.
Isso, obviamente, não o isenta perante o Conselho Deliberativo, que já deveria ter aplicado a punição cabível nesse caso insólito: a expulsão sumária do autor de destruição de patrimônio e/ou símbolo do clube, conforme prevê o estatuto. Ocorre que o Condel agiu à imagem e semelhança do dirigente máximo da agremiação: com indiferença e sem nenhuma preocupação em preservar a história azulina.
Em situação normal, o Conselho deveria ter agido com firmeza no sentido de forçar a devolução do escudo ao local de origem. Foi preciso, porém, que um grupo de jovens torcedores, do movimento “Remo é Nosso”, sem vínculo com as chapas que disputam a eleição no clube, tomasse a iniciativa de clamar pela reconstrução do portal.
De uma forma ou de outra, a verdade se impõe e faz com que os gestores entendam sua imensa responsabilidade perante a torcida, principal patrimônio de qualquer clube. E que este seja o derradeiro capítulo de uma opereta tosca e de extremo mau gosto.
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O Coritiba está de volta à Primeira Divisão, depois de ter sido punido com a perda de 30 mandos de campo (pena reduzida para 17), em função dos bárbaros incidentes da rodada final do Brasileiro do ano passado, na partida contra o Fluminense, quando o time paranaense foi rebaixado à Série B. Com esforço e seriedade, o Coxa resgatou em campo o direito a voltar à divisão principal. Manteve o técnico Ney Franco, cumpriu excelente campanha na Segundona deste e já conseguiu sacramentar o acesso.
Pois setores da mídia paulistana resolveram tomar esse exemplo como gancho para protestar contra outra punição, desta vez aplicada a Corinthians e Palmeiras terça-feira pelo STJD, por tumultos entre torcedores no clássico disputado no primeiro turno do Brasileiro, cujo mando de campo era corintiano.
Embalados pela velha rivalidade com o Rio, alegam que o Corinthians sofre a perda de mando como forma de beneficiar o Fluminense. Ora, se houve um time beneficiado pelas arbitragens neste Brasileiro foi – só para variar – justamente o centenário Corinthians. Da CBF, portanto, os corintianos não têm nada a reclamar, levantando ou não o caneco.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 11)
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