As revelações do velho Keith

Por Jamari França

Life,  de Keith Richards está saindo como série no jornal inglês The Times, com acesso pago (uma libra por 30 dias). No capítulo desta segunda, Keith conta como ele e Brian Jones criaram o som da banda, dissecando exaustivamente discos de bluesmen e rockers negros americanos como Elmore James, Bo Diddley, Muddy Waters, Robert Johnson, Chuck Berry etc. Analisavam, imitavam a princípio e depois foram achando sua própria maneira de fazer um som calcado na música nascida no delta do Mississippi. Mick Jagger não participava porque nada tocava e passava a maior parte do dia nas aulas da London School Of Economics, uma respeitada faculdade de economia. Mas alivia que o parceiro aprendeu a tocar gaita muito bem, com direito a uma alfinetada: “É a única coisa que ele faz sem ser calculista. Eu perguntei por que ele não cantava assim e s resposta foi que eram duas coisas diferentes. Mas não são, nos dois casos é botar o ar para fora.” Keith diz que no princípio eles não pensavam em ganhar dinheiro com o que faziam, depois mudaram de idéia, claro. Havia uma abordagem purista da música que eles amavam, feita por artistas que eram boicotados na América por conta do racismo.

Keith diz que Jumpin’ Jack Flash é seu riff favorito, “basicamente é Satisfaction ao contrário” e conta como usou uma tecnologia nova na época para gravar partes da música, um gravador cassette da Philips, que chama de mini estúdio. “Tocava violão e saturava o gravador para ficar bem distorcido e o resultado parecia uma guitarra. E vi que podia dar uma reforçada sem eletrificar e ficava um som novo, diferente. No estúdio eu ligava o gravador num auto-falante e botava um microfone na frente do auto-falante, aí conseguia um pouco mais de profundidade e amplitude. E assim gravei a base. Não há guitarras em Jumpin’ Jack Flash e em Street Fighting Man, só violões.”

O endereço do Times é WWW.thetimes.co.uk

4 comentários em “As revelações do velho Keith

  1. Keith “Alligator” Richards é o cara!… Sempre se manteve fiel e autêntico às suas convicções musicais.
    Mesmo na década de 80’s quando os Stones andaram flertando com a New Wave (imposição do mercado, e até mesmo de Mick Jagger) o velho Keith não se permitia abrir mão de seus riffs devastadores, que simbolizam o velho e bom Rock’n Roll.

    1. Concordo, amigo Soeiro. Diria que o velho Keith é a envergadura moral dos Stones. Sem ele, provavelmente a banda já teria descambado para o pop açucarado.

  2. … Em tempo: Saber que não há guitarras em “Jumpin’ Jack Flash” é uma grande novidade. Eu nunca apostaria nisso.

    1. Também fiquei extremamente surpreso com a informação. Achava que aqueles acordes poderosos de Jumpin’ vinham de uma guitarra. O mesmo vale para Street Fight Man.

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