PM agride fotógrafo do DIÁRIO Online

Por Carlos Mendes

Dois alunos do curso de formação de sargento e um aspirante a oficial da Polícia Militar protagonizaram na madrugada de ontem um espetáculo de violência contra um profissional da imprensa que tentava registrar prisões de pessoas envolvidas em tumulto às proximidades da Basílica de Nazaré, após a tradicional queima de fogos. A vítima foi o repórter fotográfico do DIÁRIO Online, Wildes Lima. Ele foi atacado com spray de gás lacrimogêneo, ameaçado de prisão e  impedido de realizar seu trabalho, num claro atentado à liberdade de imprensa. Os autores da agressão – dentre estes uma mulher sem identificação no uniforme, que lançou um dos jatos de gás no rosto do repórter – não foram identificados. O aspirante a oficial que comandava os agressores, num gesto típico de alguém despreparado para a função, quando indagado sobre os nomes dos militares violentos, disse ironicamente ao repórter que ele deveria mandar ofício ao comando da PM.
Wildes Lima passou mal, mas ainda assim conseguiu fazer seu trabalho, apesar da truculência dos PMs. O gás usado pelos militares possui vários tipos de substâncias irritantes da pele e aos olhos, causa cegueira temporária, reações involuntárias de lacrimação, ardência, coceiras, dor de cabeça, podendo até levar à vertigens e insuficiência respiratória.
Segundo narrativa de Wildes ele foi avisado por populares de que havia brigas e assaltos e que a Polícia Militar estava agindo com rigor na avenida Gentil Bittencourt para prender os envolvidos na confusão. “Corri para o local e comecei a fotografar tudo. Havia um ônibus cheio de presos. Os militares eram xingados pelos suspeitos de armarem a confusão e começaram a efetuar prisões. Um dos presos estava no chão cercado pelos PMs. Um deles foi ferido e teve os dentes da frente quebrados a chutes. E, mesmo algemado, quando já estava na viatura o homem ainda recebeu mais chutes de um major da PM”, conta o fotógrafo. Vários policiais que estavam na abordagem retiraram seus nomes dos uniformes, provavelmente para tentar evitar uma identificação.
Dois homens e uma mulher – João Modesto, Antônio Modesto e Simone Oliveira e Silva – foram identificados como suspeitos  da confusão com outro grupo e com a Polícia Militar. Eles já haviam sido liberados pelos policiais e subiam em um microônibus na avenida Gentil Bittencourt, entre a travessa 14 de Março e a avenida Generalíssimo Deodoro, quando teriam começado a proferir xingamentos contra os policiais. “Vocês (os policiais) são uns f….”, disse um dos suspeitos. O ônibus andou cerca de 20 metros, mas PM bloqueou a passagem e invadiu o coletivo. Todos que estavam no microônibus lotado  começaram a gritar com medo, homens, mulheres e crianças. Neste momento, a policial militar se aproximou e colocou a mão na câmera do repórter, enquanto outro lançava o jato de gás. O trio que havia xingado os militares foi retirado à força do microônibus. Jogados no chão, um deles ficou com um ferimento na boca. Depois de algemados foram conduzidos para uma viatura da Rotam. 
Neste momento, eles ainda receberam chutes de um dos policiais. A Polícia Civil teria autuado os dois homens por desacato à autoridade. A dupla foi encaminhada para a Seccional de São Brás, onde o caso teria sido registrado.
Segundo o capitão Charlet, responsável pela assessoria da PM no momento, disse que se ficarem confirmadas as agressões será aberto um inquérito policial militar e administrativo contra os PMs envolvidos. Ainda ontem um relatório sobre todas as ocorrências atendidas na madrugada de segunda-feira deve ser entregue ao comandante geral, coronel Augusto Leitão.
Segundo orientações da PM, o repórter fotográfico deve registrar a agressão em delegacia, e se for confirmada a lesão corporal, será aberto procedimento na corregedoria da corporação.
 
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