Coluna: Pato, Nilmar e as limitações

Amistoso da Seleção Brasileira, pós-Copa mal-sucedida, é sempre duro de ver. Ainda mais quando o adversário é o Irã. Por curiosidade, acabei assistindo, mas a própria transmissão, com muitos problemas de ângulos das câmeras, já foi meio esquisita. De concreto em relação à atuação do Brasil, pode-se dizer que sem Paulo Henrique Ganso e Neymar o time fica desfigurado, perdendo o elo de qualidade entre os setores que a dupla santista havia conseguido estabelecer. No primeiro amistoso da era Mano Menezes, contra os EUA, a presença de ambos foi tão marcante que inspirou comparações obrigatórias com o time que atuou ontem.
A rigor, Mano mexeu somente nas duas posições. Carlos Eduardo, no lugar de Ganso, mostrou a habilidade habitual, mas sem o domínio do setor que o paraense demonstra ter. Philippe Coutinho substituiu Neymar, mas abusou das tentativas individuais, tornando-se dispersivo.
No ataque, Robinho e Alexandre Pato, como no jogo de 10 de agosto. Ambos voltaram a abusar da perda de oportunidades, principalmente Pato, muito afoito nas finalizações. Antes de marcar seu gol, aos 23 minutos (Daniel Alves abriu o placar, aos 13), o atacante do Milan já havia desperdiçado duas boas chances. Fico, cada vez mais, com a sensação de que Pato é um jogador superdimensionado. Sabe jogar, tem boa colocação na área, chuta razoavelmente, mas não é um fora-de-série.
Para complicar, Mano lançou Nilmar no ataque e a situação se repetiu, com uma fieira de gols perdidos. Nilmar e Pato têm grandes semelhanças, além do fato de serem originários do Internacional, nesse processo de amadurecimento dentro da Seleção. Não parecem incomodar as defesas, como se espera de atacantes da escola brasileira.
Como Luís Fabiano, titular absoluto de Dunga na África do Sul, eles são típicos jogadores de clube. Nessa condição, às vezes são até capazes de pequenas façanhas, mas que ninguém espere mais que isso. Ocorre que a comparação é cruel. O Brasil teve, há até bem pouco tempo, dois monstros ali na frente. Romário e Ronaldo. Qualquer discussão termina aqui.   
Apesar do desentrosamento geral da equipe, o beque David Luiz continua a impressionar pela segurança na cobertura, embora o ataque iraniano não possa servir de teste para nenhuma zaga. Elias, o bom volante corintiano, deu excelente passe para o gol de Pato, e André Santos parece bem à vontade na lateral esquerda.
Continuo otimista quanto à equipe que Mano vai formar. A renovação mostra-se auspiciosa, mas craques são fundamentais. Ganso e Neymar precisam voltar logo.
 
 
Para quem andou alardeando que o Remo é um clube saneado, sem dívidas recentes, o presidente Amaro Klautau precisa rever seus conceitos. Os ex-azulinos Samir e Márcio Nunes confirmaram ações trabalhistas para cobrança de pagamentos atrasados. Certas histórias têm pernas curtíssimas.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 08/10)

Deixe uma resposta