O planejamento é digno de times de Primeira Divisão. O Paissandu deixou de lado a improvisação mambembe que caracteriza a Série C e viajou para Fortaleza ainda no domingo, para treinar e se preparar sempre pressa para o primeiro duelo do mata-mata contra o Salgueiro-PE, no próximo sábado.
O técnico Charles Guerreiro sugeriu a programação e a diretoria o atendeu. Os custos da estadia de uma semana na capital cearense se justificam diante da prioridade máxima dada ao acesso à Série B. Longe dos olhos (e da cobrança) da torcida, os jogadores consolidam os laços de união e concentram-se exclusivamente no objetivo de iniciar bem o mata-mata, se possível com vitória fora de casa.
Há três anos marcando passo na Terceirona, o Paissandu finalmente parece ter compreendido o valor da boa preparação. Se Dario Lourenço (2008) e Edson Gaúcho (2009), com times inchados de falsos reforços, não conseguiram subir de divisão, Charles trabalha com um grupo mais enxuto e bem menos badalado.
A rigor, só existem duas estrelas na companhia: Tiago Potiguar e Sandro. Ambos alcançaram essa condição especial pelo futebol que vêm jogando e pela importância que têm para o time. Tanto é assim que são admirados e respeitados dentro do elenco.
Esse equilíbrio interno também contribui para os números da campanha alviceleste. Ao contrário dos anos anteriores, quando o time parecia rachado ao meio entre forasteiros e nativos, o Paissandu de hoje não enfrenta discussões quanto a prêmios e salários atrasados, fatores que pesaram negativamente no desempenho contra o Icasa, no ano passado.
Desta vez, antecipando-se a eventuais cobranças, a diretoria deliberou dividir ao meio a arrecadação do jogo do dia 17, na Curuzu, e destinar metade ao grupo de jogadores. Providência simpática, que motiva os atletas e tem o efeito adicional de convencer o torcedor a pagar mais caro pelo ingresso. Parece que, finalmente, as lições foram bem assimiladas.
Héliton quer ficar no Pará, perto dos seus. O Remo insiste em emprestá-lo a algum clube de fora. O Sport é a bola da vez. Na verdade, a diretoria não diz, mas receia que o jovem atacante vá reforçar as tropas do tradicional rival, carente de um substituto para Moisés.
Luxemburgo está de volta ao Flamengo. Suas duas passagens anteriores não resultaram em conquistas, apesar do bom aproveitamento – 51 vitórias em 98 jogos. Uma coincidência aproxima técnico e clube neste momento: ambos estão na mais absoluta pindaíba, precisando se reerguer depois de caminhadas indignas no Brasileiro. Questionado pelos altos salários que cobra e os pífios resultados que seus times apresentam, Luxemburgo sabe que o Rubro-Negro pode ser sua derradeira tábua de salvação. Se fracassar, ambos afundam no mar das tormentas.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 6)
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