Um modelo a ser seguido

Por Fábio Sormani

Na edição desta quinta-feira, o jornal “Marca Campeão” publicou uma matéria com Neymar. O eixo da notícia é que o Santos, time pelo qual o jogador atua, contratou uma especialista em mídia para ensinar o jogador a se comportar durante uma entrevista. É o chamado “Mídia Training”. Assim foi definido o projeto pelos santistas. O curso, segundo a matéria assinada pelo repórter Fernando Prandi, terá duração de dois dias e será ministrado por Vilma Silveira, da Agência Comunicado.

Peço licença ao jornal e ao Fernando para reproduzir parte de declarações de Vilma: “(…) o clube passa para a empresa como pretende que o jogador se porte nas entrevistas e ele será treinado para isso (…) treina-se na teoria e na prática, como passar mensagens chaves positivas, além de evitar situação de desgaste da imagem”. A preocupação da direção santista é extremamente louvável. Os clubes têm que zelar pelo seu patrimônio. Não deve se preocupar apenas com o campo de jogo. É preciso um olhar mais abrangente, que transcenda a fronteira esportiva. Há clubes no Brasil, como São Paulo, Atlético Paranaense, Cruzeiro, Santos, Internacional, Flamengo, entre outros, que investem muito nas categorias de base. Há mais de uma centena de garotos que moram em seus alojamentos. Talvez até mais.

E o que eles fazem por lá além de jogar bola? Não sei, mas deveriam estudar. Treina-se de manhã e à tarde. À noite, escola. E depois do almoço, lição de casa. Algo que se aproximaria do modelo norte-americano, onde os atletas, TODOS, são forjados nas escolas. Falo tudo isso porque ao ler esta notícia no “Marca Campeão”, lembrei-me de um trecho do livro “Michael Jordan – A história de um campeão e o mundo que ele criou”, escrito por David Halberstam.

MJ, pra quem não sabe, é fruto da University of North Carolina. Ainda no começo de sua história, o autor fala sobre as exigências do técnico Dean Smith, que treinou Jordan (foto Getty Images) na universidade. Leiam: “Os rapazes de Dean Smith tinham que assistir às aulas, e sua frequência era monitorada de perto. Eles tinham também que ir à igreja, a não ser que apresentassem uma carta dos pais dizendo que não tinham esse costume em casa. Havia todo tipo de lições que nada tinham a ver com basquete. Lições sobre como conversar com a imprensa, como olhar nos olhos dos repórteres e pensar antes de falar com eles. Eles aprendiam a lidar com o assédio das pessoas, a se vestir, a fazer o pedido num restaurante e a se levantar quando uma senhora se aproximava da mesa”.

Pois bem, o que o Santos pretende fazer com Neymar em dois dias, os atletas de North Carolina aprendem durante a faculdade. É pouco, com certeza, mas o que o Santos faz é um começo. Quem sabe daqui a alguns anos a gente não veja nestes CTs algo que se aproxime do modelo americano: bola e estudo; bola e preparação para a vida, pois, a gente bem sabe, nem todos que lá estão vão virar jogadores profissionais. E o que fazer depois da desilusão?

É pouco o que o Santos faz, mas realmente é um começo.

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