Com a quase confirmação da candidatura de Antonio (Tonhão) Carlos Teixeira à presidência do Remo, começa a se delinear o quadro sucessório no clube, cuja eleição está marcada para dezembro próximo. Dirigente e colaborador em várias gestões, Teixeira surge desde já como favorito pela capacidade de unificar diversas tendências dentro do Conselho Deliberativo. Caso se candidate, enfrentará Pedro Minowa e Benedito Wilson Sá como concorrentes.
Sempre relutante em aceitar o desafio, apesar de bastante cobrado por amigos e torcedores, Teixeira deve reeditar o “Esquadrão de Aço” e a Juventude Remista, grupos bastante atuantes na vida do clube, inclusive por ocasião da maior conquista da história remista – o Brasileiro da Série C em 2005, na gestão de Raphael Levy.
Um dos líderes da chamada banda jovem do Condel azulino, Teixeira admite que só aceitará concorrer à presidência em função do estado das coisas no Remo, devastado por um vendaval de notícias ruins sob a presidência de Amaro Klautau, incluindo duas temporadas perdidas no futebol profissional e a iminente perda de seu mais valioso patrimônio, o estádio Evandro Almeida.
Opositor declarado de AK quanto à forma de enfrentar os graves problemas administrativos do Remo, Teixeira aceitou integrar a comissão recém-formada para tentar obter um mínimo de clareza e transparência no processo de venda do Baenão. Ao mesmo tempo, critica a inexplicável inadimplência junto à Justiça do Trabalho nos dois últimos anos, fato que elevou a dívida à cifra recorde de R$ 8 milhões.
Em contato telefônico com este escriba, Teixeira evita falar como candidato, mas emite sinais de que está disposto a aceitar a tarefa. “Desde que tenha apoio dos verdadeiros remistas para tentar recolocar o Remo nos eixos, não apenas no futebol (onde novamente está sem divisão) como também – e principalmente – no plano administrativo”, expõe, já com entonação de postulante.
Aspecto que pesa favoravelmente no ânimo do pré-candidato é a receptividade ao lançamento de seu nome. Desde que a notícia começou a circular, Teixeira tem sido parabenizado por sócios e torcedores, que o estimulam a concorrer. Pode vir daí o empurrão final para a candidatura.
Diante da necessidade de utilizar o alçapão da Curuzu como trunfo para superar o Salgueiro e garantir a classificação à Série B, o Paissandu planeja adotar uma medida impopular, mas necessária: aumentar o preço dos ingressos – arquibancada a R$ 30,0 e cadeira a R$ 50,00. Óbvio que o reajuste atinge diretamente o torcedor de menor poder aquisitivo, mas é compreensível que a diretoria busque aumentar o faturamento já que a natureza do jogo permite essa providência. Volta-se ao velho dilema do futebol: prestigiar o torcedor que sempre apoiou o time, desde os primeiros jogos, ou cumpre-se uma espécie de tabela dirigida de preços, compatibilizando valor unitário de ingresso com a importância do espetáculo.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 28)
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