Estadão inventa presença de Serra em comício

No último dia 20, antes de declarar publicamente seu apoio a Serra, a Agência Estado, uma das empresas do Estadão, publicou que a passagem de Serra por um comício no Tocantins reuniu 20 mil pessoas. O tucano reunir tanta gente já é estranho, mas a matéria tropeçou num “pequeno” erro: Serra nem tinha viajado ao Tocantins devido ao mau tempo em São Paulo. Outro “detalhezinho” à toa é que a notícia foi divulgada pela agência às 13h07, duas horas antes do início do evento. E lá estava escrito que a passagem de Serra durou menos de quatro horas e chegou a reunir 20 mil pessoas. Esse é o jornalismo de premonição praticado por um dos principais jornais do país. Antes mesmo do fato, a matéria já estava pronta, com destaque para o protagonista que faltou e até o público presente. Só faltaram aspas do Serra atacando Lula ou Dilma, que poderiam ser aproveitadas de qualquer outra matéria ou do editorial que ainda viria.

A Agência Estado é uma agência de notícias poderosa e o material que produz é comprado por muitos jornais e portais em todos o país. Não se sabe quantos reproduziram sua notícia fictícia, que chegava a descrever detalhes, como o de que mais de 100 prefeitos do estado, além de senadores, ficaram “em torno do tucano” para comício e carreata. É o primeiro caso de comício por projeção holográfica da história, ou então o Serra mandou seu ectoplasma lá para o Tocantins.

O diretor de redação do Estadão em Brasília, João Bosco Rabelo, disse ao site Comunique-se que a matéria foi publicada por acidente, em função de uma falha no sistema de publicação. Que coincidência, não é? Segundo o jornalista, o que a Agência Estado faz na cobertura de eventos que podem ultrapassar o deadline (qual será o deadline de uma agência que fica 24 hhoras no ar?) é apurar todas as informações possíveis e redigir um texto bruto, que fica arquivado no sistema de captação, em uma gaveta chamada “Prévia”. Após o término do evento, o mesmo repórter entra em contato com a redação para dar as informações adicionais.

Só que a agência do Estadão publicou a tal prévia antes mesmo do evento começar. O diretor de redação da sucursal de Brasília disse que a situação descrita no texto era verdadeira. “O texto que a repórter mandou no fim da tarde era praticamente o mesmo, apenas dizia que o Serra não esteve lá”. O que o Estadão chamou de acidente só foi corrigido porque o site de Ciro Gomes publicou a mancada. Quatro horas e meia após o erro crasso, a Agência Estado publicou nota dizendo que Serra não esteve em Tocantins devido ao mau tempo que fazia em São Paulo. Às 21h09, segundo o Comunique-se, a Agência Estado reconheceu o erro, que classificou como “técnico”. (Do blog Tijolaço)

11 comentários em “Estadão inventa presença de Serra em comício

  1. Esse jornalismo de premonição vem desde antes. No mínimo, desde os tempos do regime civil-militar de 64. Na época anunciavam a morte “acidental” de jovens combatentes contra aditadura.
    A propósito: o jornalismo ficcional, por parte da chamada grande mídia, é a marca das coberturas eleitorais. E, “coincidentemente”, sempre contra os canditados dos partidos populares – desde muito tempo.

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  2. É verdade Vicente…isso é prática antiga, inclusive por aqui e em TODOS os veículos…ou não???
    Tudo farinha do mesmo saco…

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  3. Penso que a luta pelo direito à informação passa pela ADIN apresentada pelo jurista Fábio Konder Comparato ao STF cobrando do Congresso Nacional um posicionamento a respeito da regulamentação dos artigos da Constituição Federal que disciplinam a área da comunicação e atingem o monopólio global, construído às custas de uma vil (?) ditadura militar e permaneceu intocável junto com as regras do jogo político, concebidas pelo gen. Golbery do Couto e Silva, que garantem a sobrevida de oligarcas.
    Resolvidas essas questões, veículos de comunicação que cederam carros para grupos paramilitares perseguirem dissidentes do golpe, outros que discutiram a composição de ministério com milicos e quem montou um império patrocinado pela ditadura serão, finalmente, regidos por uma legislação como toda e qualquer organização existente no país. Antes tarde do que nunca.

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  4. Assisti alguns momentos do debate de ontem na TV Record e nada extrai salvo a admissão de corrupção de duas ex-integrantes do governo Lula. Dilma e Marina acusaram-se. Apontaram os escandalos havidos na Casa Covil e no Meio Ambiente. Coisas que só acontecem no Brasil e fica por isso mesmo.

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  5. Essas invenções jornalisticas de comicios remete-me aos tempos em que alguns jornais juntavam 2 fotos (bem montadas) para mostar a grandeza do comício. E nós, crédulos, acreditavamos.

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  6. Vicente, ontem um caderno de esportes da Capital, tambem ”previu” o jogo amistoso entre Tuna e Paissandu….fechar cadernos as sextas dá nisso…rsrsrsr….

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  7. Tavernard, as ministras admiitiram existência de corrpção e tomaram as devidas medidas. Corrupção há em qualquer governo e para isso os governantes tomam as devidas providências. O ruim é quando as coisas são escondidas ou engavetadas por Procuradores Gerais da República, prática incontinenti de outros governos antes de Lula.

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  8. O problema Cássio é que tem gente que olha uma coisa e enxerga outra. No debate da Record, as ex-ministras não se entre-acusaram. O que vimos e ouvimos, como vc bem afirma, foi a constatação das dificuldades em bem administrar a coisa pública, diante do volume de aves de rapina infiltradas, no aparelho de Estado. Seja como agente político ou como agente burocrático.
    São esses os casos do Ibama, da Funasa, do Dnit, Fnde, INSS, Receita Federal etc etc. Isso não é exatamente um exclusivo problema de governo (ou pelo menos de um só governo). Trata-se de amplo problema de Estado. Muitas vezes as tais “aves” estão no âmbito de carreiras típicas – entre concursados mesmo.
    Por isso a futura presidente afirma sempre: precisamos ter instituições com melhor nível de controle interno e maior atuação do controle social. Para isso, devemos manter sempre investimentos objetivos na transparência.
    Devemos sempre apurar os desvios e punir seus autores. Como tem feito as instituições como CGU, Política Federal e Ministério Público. E a própria mídia reconhece constrangida.
    Seria importante o conhecimento do quantitativo de servidores banidos dos quadros da administração em função de atos ilícitos apurados, isso durante a gestão de Lula.

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  9. Cassio, não estasmos disputando campeonato de ilicitos.Erros dos outros não justificam os meus. Não conjugo o Tu Fizeste, então, Eui Faço. A postura moral que eu cobro não distingue colorações partidárias. Batista Campos já dizia : boi é boi, ladrão é ladrão.

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  10. Sobre o debate, atentei para a desenvoltura no esclarecimento de propostas e teses, e a Guarrilheira consegue ser mais fraca que a récem alfabetizada Marina. Pela larga experiência adquirida no passado de conflitos, era para ser uma verdadeira metralhadora com alto pode de precisão. Ledo engano

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