Por Inácio Araújo
A primeira reação pode ser paranóica: se “Lula, o Filho do Brasil” vai ao Oscar (enfim: é indicado pelo Brasil para concorrer) seria por interferência política etc. Duvido. Entre os que concorreram à indicação é o com melhores condições de emplacar no Oscar de filme estrangeiro. Primeiro, aborda um personagem reconhecível universalmente.
Mais, que faz unanimidade fora do Brasil como pessoa admirada, antes de tudo, por sua trajetória pessoal. Aqui, apesar de ser um presidente muito popular, há muitas pessoas que fazem ressalvas a Lula em vários níveis, do cultural ao político.
Esse aspecto emocional (e que nos dias atuais chega à demência, o que é de certo modo compreensível) inexiste no exterior. E é essa trajetória de vida que o filme, aliás, explicita, da infância até os tempos de sindicalismo em São Bernardo e ao combate à ditadura. Portanto, é também uma história de vencedor.
Pode até não ser o ideal para levar o Oscar ou, eventualmente, chegar a ele (causas humanísticas mais genéricas são sempre muito bem vistas), mas é de longe o melhor que temos. Eu diria que é o melhor que temos desde “Central do Brasil” como concorrente. Alguém poderá dizer que “Cinco Vezes Favela” tem a vantagem de ser feito por jovens da própria favela etc. Mas isso é muito abstrato. O Oscar não gira em torno disso.
Pode-se sempre alegar que “Lula” é quadrado como “Gandhi” (e bem produzido, guardadas as proporções devidas). Mas isso é preocupação de crítico, não de eleitor do Oscar. Só para efeito de lembrança, “Gandhi” ganhou oito Oscars em 1982.

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