Coluna: Um discípulo da teimosia

Para quem viu Dunga resistir ferozmente a qualquer sugestão lógica de mudança na Copa da África do Sul, não surpreende a postura teimosa de seu mais fiel discípulo. Sim, não há mais dúvida. Por quase total identificação nas idéias e na mania de contrariar, o guru de Giba é o Capitão do Mato.
Vamos lá. Giba, desde que chegou ao Remo, ainda para o segundo turno do campeonato estadual, dedicou-se a fazer interpretações extremamente particulares sobre os jogos do time. A equipe se arrastava em campo, com dificuldades crônicas de articulação, mas no final vinha sempre o treinador dizer que a atuação tinha sido excelente, dentro do planejado.
Assim como Dunga teve o palpite infeliz de eleger Felipe Melo seu legítimo sucessor com a camisa do escrete, Giba escolheu Otacílio para funcionar como maestro e ponto de referência do Remo no Parazinho. As duas invenções – como quase todo alertava – resultaram em desastres.
Não satisfeito com o mau passo, mas fiel à crença de que o resto do mundo caminha sempre na direção errada, o técnico azulino abraçou a campanha da Série D como um “campeonato do Remo”. Em outras palavras, quis dizer que o time tinha a obrigação de ser campeão.
O desenrolar da disputa e o comportamento errático do time, com tropeços inesperados diante de adversários frágeis como Cristal e Cametá, evidenciou que a previsão está longe de se confirmar. Somente uma vez em toda a fase inicial, o Remo conseguiu ser tecnicamente superior a um de seus adversários. Foi na goleada de 4 a 0 sobre o Cristal, indiscutivelmente o saco de pancadas do grupo.
As demais partidas foram sofríveis, incluindo atuações patéticas, como aquele 1 a 0 sobre o América, no Mangueirão. Naquela tarde, o salvador da lavoura foi o moleque Héliton. Com habilidade e destreza, aproveitou passe de outro garoto, Betinho, para fazer o gol da vitória e aliviar o pescoço do próprio Giba. Pois Héliton sumiu do time, que continuou mal das pernas.
Àquela altura, o treinador já dispunha de novo “reforço”: o meia-armador Canindé, contratado como grande esperança para compor o quadrado de meia cancha e dar criatividade ao setor. Desde então, Canindé entrou em campo em todas as partidas, mas não jogou. Dispersivo, escondendo-se da bola, não arma, não lança, nem cria.
Pela insistência com que Giba o escala, pode-se dizer que é o novo Otacílio. É quase como se o Remo fosse Canindé e mais 10. No primeiro confronto do mata-mata com o Vila Aurora, talvez temendo o pior, o técnico pôs Gian no primeiro tempo, mas avisou que seu preferido entraria na etapa final. E assim foi. O meia entrou e, obviamente, nada fez. Cobrou quatro escanteios, dois pela linha de fundo.
Hoje, no treino coletivo marcado para o Mangueirão, Giba tem nova chance de desfazer essa impressão. É simples, basta não inventar. Sem Gilsinho, suspenso, tem como alternativa natural recuar Vélber para ajudar Gian na armação, lançando Héliton ao lado de Frontini (ou Zé Carlos). Pode, ainda, escalar três no meio e três na frente: Danilo, Júlio Bastos e Gian; Héliton, Frontini (Zé Carlos) e Vélber.     

(Coluna publicada no Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 10)

7 comentários em “Coluna: Um discípulo da teimosia

  1. Já venho acompanhado da Aurora desde dia para lembrar que faltam 2 dias para a divulgação da boa notícia que revelarei que deixarão meus clones felizes da vida e boa parte da torcida do Remo mais aliviada. Estou nos ajustes finais. Aguardem.

  2. Feliz comparação. Duas incógnitas, que somadas, aumentam o valor absoluto da improdutividade. Dunga se foi e seu escudeiro nem pode colocar a cara na rua. Giba permanece apesar das constantes turbulências e seus escudeiros se foram, ilesos, escoltados pelas desculpas do bom treinador de oratória. Domingo tem mais.

  3. Voce sabia?

    Que para este domingo quem gosta de banho de sol no mangueirão, é mais caro; Sombra e água fresca é promoção.

  4. Após gorado a má intencionada idéia de realizar os 2 jogos em Belém, outra estava na ponta da agulha para que o Remo ganhasse o direito de passar para a outra fase através WO. De ultima hora alguns indignados matogrosseses com ajuda do governo, encaxaram a delegação em vôo. Acho que esta preocupação de treinar penaltis é cascata. A sofrêmeno pode ir em peso que não sairá frustada.

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