Coluna: Sob o peso das picaretas

Na calada da noite, um golpe inesperado, desfechado pelo próprio presidente do clube, feriu de morte o pórtico do estádio Evandro Almeida. A golpes de picareta, o símbolo do Clube do Remo foi removido da fachada do Baenão, a fim de inviabilizar qualquer reivindicação de tombamento da tradicional praça de esportes. E, com isso, abrir caminho para a venda a uma construtora paulista. Apesar da violência, a medida é coerente com a natureza nebulosa e confusa das articulações que envolvem o projeto de desmanche dos bens do clube pela atual diretoria.  
Para justificar tamanho destempero, AK alega que a Justiça levará o estádio a leilão. Curiosamente, na própria segunda-feira, a Secretaria Estadual de Cultura informou que havia indeferido o pedido de tombamento do Baenão, fato que, em tese, permite sacramentar a transação imobiliária.
No afã de sufocar qualquer recurso de conselheiros em favor do tombamento, a diretoria apressou-se em lançar mão de recurso extremo: destruir o emblema que sempre marcou a paisagem da principal avenida da cidade, incrustado no pórtico do Evandro Almeida.
Sem consultar ninguém, o dirigente violou um símbolo do clube. Pelos estatutos da agremiação, qualquer iniciativa que descaracterize o patrimônio deve ter a aprovação do Conselho Deliberativo. A “operação picareta” aconteceu às 23h de segunda-feira. O objetivo, admitido pelo próprio cartola em entrevista à Rádio Clube, foi mesmo facilitar a negociação (por R$ 32 milhões) com a incorporadora.
AK, cujo mandato expira em três meses, tem muita pressa em fechar o negócio. Segundo ele, só com o dinheiro da venda do estádio será possível sanar as pendências trabalhistas – oficialmente avaliadas em R$ 8,3 milhões. Em todas as entrevistas, usa como único argumento o risco iminente de leilões decretados pela Justiça do Trabalho.
Em junho, apesar dos esforços do cartola, os conselheiros desautorizaram a transação. Motivo: a descoberta de que, por contrato, a empresa compradora se comprometia a construir apenas 50% do futuro estádio, a alardeada “Arena do Leão”, situada num ponto qualquer entre um cemitério e a beira de um córrego, em Marituba. Revoltados, o Condel questionou o presidente por anunciar outro acordo com a incorporadora. Confrontado pelos conselheiros Ronaldo Passarinho e Djalma Chaves, saiu sem explicar a razão de apoiar negócio tão lesivo ao clube.
Agora, ao deformar a fachada do Baenão, AK atesta completo menosprezo pela agremiação que preside e avaliza todas as desconfanças quanto aos reais interesses por trás do negócio. Ao Condel, na assembléia marcada para segunda-feira (30), cabe adotar uma atitude firme para restaurar a dignidade pública da instituição ante essa afronta. À torcida, resta manifestar-se contra a vergonhosa violação de um símbolo do clube.

Pensando bem, após as picaretadas de AK, ninguém no Remo poderá mais se indignar com o gesto de Albertinho, que debochou do clube vestindo a camisa do Paissandu no leãozinho de mármore do Baenão.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 25)

16 comentários em “Coluna: Sob o peso das picaretas

  1. AK, o louco. AK Picareta. É como vai ficar conhecido o presidente remista pelo resto da vida. AK parece estar cumprindo uma missão. Dá a impressão de que ambicionava à presidência tão somente para vender o estádio. Não ganha títulos nem de turno. Até no futebol feminino perdeu. Não se preocupa com títulos, apenas com a alienação do patrimônio, sua obsessão incontrolável. Com o mandato chegando ao fim, qualquer um teria arrefecido os ânimos, baixado a bola e largado a bomba para o sucessor, mas AK tem uma inquietante idéia fixa: vender o estádio. Não há outra alternativa que não o Impeachment.

  2. Gerson, a respeito das eleições do Remo, passei um e-mail para o Dr. Hamilton Gualberto, semana passada, procurando saber algumas coisas sobre esse time, com quem, já passou por lá, como ele e, por o mesmo pensar que com Sérgio Cabeça, Tonhão, Levy, Ronaldo ” nem durmo” Passarinho, Ubirajara,… . Peço licença, para mostrar a vc e aos amigos, essa conversa que tivemos: Abaixo o E-mail:

    From: claudio251915@hotmail.com
    To: gualbert@amazon.com.br
    Subject: O que seria melhor para o Remo?
    Date: Sat, 21 Aug 2010 17:57:28 +0300
    Dr. Hamilton, sou seu fã, gosto do seu trabalho. Agora, no que se refere a Sucessão Presidencial do Remo, do qual o Sr. aborda, em sua coluna de hoje, sou totalmente contra e, vou lhe dizer porque e, gostaria de saber se o Sr. concorda:
    1- Dr. Hamilton, essas pessoas, citadas em sua coluna, hoje, já se reuniram outras vezes e, não fizeram o Remo crescer, muito pelo contrário;
    2- As pessoas citadas, são as que mais contribuiram para essas dívidas do Remo, hoje, haja visto que, em 1995, quando Raimundo Ribeiro deixou o Remo, o clube ficou Saneado, ou seja, sem nenhuma dívida;
    3- O Remo até 2008, nunca teve Presidente(hoje tem). Teve sim, Diretores de Futebol, travestido de Presidentes, por isso o Baenão de 1945, é o mesmo de hoje, por exemplo, por pouco nos preocuparmos com a parte Administrativa;
    4- Um clube, só terá sucesso por muitos e muitos anos, se a parte Administrativa e o Futebol, andarem de mãos dadas. Se apenas o Futebol andar, estaremos, como estamos hoje, ou pior, pois aí, cada presidente que entrar, tentará fazer o seu nome, como fez o Tonhão e o Levy em 2006(e que são 2 dos citados em sua coluna), onde anteciparam todas as cotas do ano posterior, para salvar o Remo do Rebaixamento e, isso aconteceu, porque o Planejamento foi mal feito;
    5- Entenda que, no futebol de hoje, é tão importante quanto se eleger um Presidente e seu Vice, o Diretor de Futebol, que é quem será o responsável por contratar um bom técnico do cenário Nacional e, este, para montar um bom elenco;
    6- Desculpe, Dr. Hamilton, fico com uma certa raiva, quando o Sr. diz que esse ou aquele não servem para comandar o Remo, pois não tem história. Convenhamos, mas pra quem tem história fazer o que já fizeram, penso que está na hora de esquecermos quem tem história e colocarmos pessoas com competência e visão de Administração. Assim, sim, o torcedor agradeceria;
    7- Perceba, que em 105 anos, nós torcedores nos contentamos, apenas em comemorar grandes vitórias, pois títulos importantes, não temos nenhum(série B, Participar de uma Sulamericana, participar de uma Libertadores, estar na série A, fazendo grandes campanhas, como o Goiás, por exemplo,…). Isso tudo acontece, por essas pessoas não entenderem de planejamento de um time de futebol;
    8- Hoje, mesmo sem querer, o Remo faz um planejamento certo e, caso se classifique, o correto é dar condições de trabalho ao Giba(grande treinador), fazendo com que ele traga sua comissão técnica e os jogadores, por ele indicados;
    9- Tenho duas sugestões, para o Remo crescer, no Futebol e Administrativamente, como é o Goiás, hoje:
    1ª- Amaro Klautau- Presidente e Orlando Frade-Vice(continuação do trabalho) e o Tonhão- como Diretor de Futebol, trabalhando com fiscalização do Vice;
    2ª- Orlando Frade – Presidente e Tonhão- Vice, com o Frade na parte Administrativa, para o crescimento do Remo Administrativamente e, o Tonhão no Futebol, mas como falei, acima.
    10- Com todo respeito e Admiração que tenho pelo Sr. Pedro Minowa, mas o Remo e seus torcedores, não merecem tê-lo como Presidente. Agora, não se pode afastar de qualquer diretoria, pessoas que, verdadeiramente, amam o Remo, poderia se dar a esse tipo de conselheiro, qualquer função em qualquer Presidência. Pessoas que amam o Remo, não podem ficar longe desse clube, é só saber levá-las com jeito e deixar eles perto de quem amam, isso faria muito bem a eles e a instituição.
    -É a minha opinião. Grande Abraço
    Cláudio Santos – Técnico do Columbia de Val de Cans.

    – Aliás, Dr. Hamilton, tem um Blog muito bom em Belém, onde se comenta, e muito, sobre o Futebol Paraense, com quase 3 mil acessos diários. É o blog mais acessado do Norte e Nordeste do Brasil. http://www.blogdogersonnogueira.wordpress.com

    Abaixo, a resposta dele.

  3. Date: Mon, 23 Aug 2010 10:15:55 +0000
    Subject: Re: O que seria melhor para o Remo?> From: gualbert@amazon.com.br
    To: claudio251915@hotmail.com
    Cláudio: vou te responder por respeito ao teu sentimento azulino. Dizia o mestre Edyr Proença, grande azulino, que opinião não se discute. E eu acrescento: mas os absurdos se combatem. Escreveste um universo de situações que devem ser respeitadas pois é o teu pensamento. O Amaro é o pior presidente da história do Remo e o Orlando Frade a quem tanto defendes não sei por que, é um omisso. Se fores sócio, vota na chapa do Conselho elaborada por eles, para que fiquem mais um biênio no Clube. E vamos fazer o seguinte, entrega o teu lugar como treinador
    do Columbia para o GIBA e verás que farias melhor do que ele. O Frade e o Amaro deveriam estar na Diretoria do Columbia (ou do Vila Teta, quem sabe). Lamento que as tuas idéias sejam tão descompromissadas com o futuro do REMO. Mas admiro
    tua tenacidade, esperando que não sejas vitorioso no teu projeto, pois assim o caso azulino se concretizaria. E para finalizar, uma pergunta: és a favor da venda do Baenão?
    Se responderes em alto estilo e nível, ficarei atento para replicar; se o nível for baixado, encerraremos o contato. E VIVA O CLUBE DO REMO.
    Hamilton Gualberto
    – Não precisa dizer, que fiquei decepcionado com a resposta, pela elegância que sempre defendi, inclusive aqui, desse Jornalista. É por isso, que o Gerson, é sucesso absoluto na internet e vai reinar, sozinho, por muito tempo. Te dizer.

  4. A famosa gota d’agua… Era só o que faltava… Este senhor mais parece um corretor de imóveis do que Presidente do maior clube do norte do Brasil. Aonde estão os benenéritos, conselheiros, sócios e torcedores? Algo tem que ser feito, nem que seja apenas a reconstrução imediata do símbolo derrubado. Ação já!

  5. Legal, só aqui mesmo, um leãozinho de mármore com a camisa do mais campeão dos campeões. Vai morrer de angústia, que sacanagem.

  6. Gostaria um dia de escutar os nossos “grandes” cronistas esportivos apresentarem soluções viaveis para os problemas trabalhistas do clube do remo, visto que, so escuto criticas a administração do presidente Amaro Klautau

  7. Sempre me mantive favorável à venda do baenão, POR FALTA DE MELHOR PROJETO. Remédio amargo que poderia salvar um doente terminal. Apesar de acreditar em melhores formas de lidar com o problema (como a contrução de uma arena multiuso em parceria com empresas sócias do projeto), penso que ninguém apresentou OUTRO projeto viável de recuperação do clube. E as críticas à negociação do baenão foram, em sua maioria, de cunho político/sentimentalista exagerado. Por estes motivos, defendia a venda como solução “menos pior” para o Remo.

    Entretanto não posso de FORMA ALGUMA apoiar a demolição do SÍMBOLO do clube na calada da noite, sem o mínimo respeito que é devido. Há várias maneiras de fazer as coisas e essa foi a pior delas.

    Tudo bem, todos sabemos que o baneão seria (E DEVE SER) demolido. Mas quantos torcedores e sócios não esperavam um museu em homenagem ao antigo baenão, onde seriam aproveitadas algumas partes do estádio, como o próprio escudo do pórtico, ou parte do gramado em uma redoma, ou as traves. São SÍMBOLOS, é importante que se diga. É um pouco da dignidade e da tradição azulina que se perde. NÃO É NADA FÁCIL VENDER NOSSO ESTÁDIO, apenas o estaríamos fazendo pois não haveria saída melhor à vista. Será que daria pra ser menos blasé e tentar pelo menos mostrar
    algum constrangimento em fazê-lo desta forma?

    Amaro cruzou uma linha perigosa, na qual os fins justificam os meios. Perdeu grande parte da confiança que nele depositava, pois me parece uma tentativa desesperada de fazer prevalecer um negócio. Já há suspeitas demais sobre a negociação sem que se dê motivos para isso. Agora as suspeitas tem contornos reforçados pela atitude destemperada e intempestiva de remover o síbolo maior do clube a marretadas.

    Respeito algumas atitudes tomadas pela administrção de Amaro Klautau, como a implantação do [b]sócio torcedor[/b] e a revitalização de alguns setores importantes do clube, medidas dignas de nota e consideração, mas que não terão o peso devido pois O ESFORÇO MAIOR E MAIS IMPORTANTE NÃO FOI EMPREENDIDO, QUE SERIA MUDAR O ESTATUTO DO CLUBE. FAZÊ-LO SERIA SIM O MAIOR FEITO DESTA ADMINISTRAÇÃO VACILANTE.

    Pelas circusntâncias, prefiro que a negociação não se concretize e que se encare de frente o problema jurídico/trabalhista com outras medidas.

    A verdade é que muito terrorismo foi feito em torno do débito azulino, mas, que eu saiba, clube nehum do Brasil perdeu patrimônio por execução de dívidas. Não seria o Remo o primeiro.

    Então adiemos MAS NÂO ABANDONEMOS o sonho de ter um estádio moderno e um clube saneado. PORÉM, É PRECISO FAZÊ-LO DA MANEIRA CORRETA, para não correr o risco do esfacelamento da INSTITUIÇÃO CLUBE DO REMO, que é MAIOR que PRESIDENTES E CONSELHEIROS, QUE PARTIDOS POLÍTICOS OU SANHAS EMPRESARIAIS.

    Saudações Azulinas.

  8. Um clube centenário, tradicionalíssimo, multi-campeão, afundado em dívidas e com o time de futebol na Série D….

    … e com uma preocupação que se assemelha com a da destruição da camada de ozônio. Ufamismo e paixão são importantes, mas esses vermes que afundaram o clube precisam impedir o presidente de tomar essas medidas sim, mas ao mesmo tempo apresentar soluções.

    Pegar o microfone, dizer que o time é ruim, que isso e aquilo, apontando o dedo pra todo mundo é facílimo, tb quero ser conselheiro.

  9. CLAUDIO: O que o Hamilton te disse eu já disse aqui para ti, prefiro você como técnico do Remo e Amaro presidene do Columbia. Não achei ofensa nenhuma, o estilo de escrever e falar dele é que é assim. Agora mesmo eu escrevi e avacalhei com picaretas que se transveste de torcedor só para apoiar a insanidade do Amaro, porque a ignorância tem limites. Tenho observado que andas escondido um pouco, pois és a favor dessa negociata em que só um e mais 89 conselheiros ganham. Eu entendo que a gente deve analisar com cuidado esse assunto. Eu até te pergunto: tu confias no homem que propõe a entrega chave a chave, e agora ele vem com 50% do estádio construido entrega o Baenão. Que agora a arena não é mais para 24.500 torcedores e sim para 15 mil. Tudo obscuro. Ele deixa de pagar os acordos, justamente para chegar a essa situação. Que faz acreditar que uma arena possa ser construida com 18 milhões. Ele e RR são parceiros que deixaram de pagar os acordos para chegar a essa situação. Antes eu respeitava esse cidadão, hoje com essa derrubada do símbolo é demais.Ele tem pressa nessa negociata. Por que ele não deixa para o próximo presidente resolver. A cada informação que se tem, mas fica clara essa maracutaia. Desculpas, mas é assim que penso.

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