Em termos de posicionamento na tabela, o Paissandu pouco perdeu com o resultado de ontem. Continua absoluto no grupo e dificilmente será ultrapassado. O problema está na minhoca plantada na cabeça do torcedor, que compareceu em massa ao Mangueirão e proporcionou uma das maiores platéias da rodada deste domingo no Brasil.
A desconfiança vem do fato de o Paissandu, mesmo invicto na Série C e praticamente classificado, cair de produção na parte final dos jogos. E a decadência não é somente física, mas técnica também. O time parece apostar tudo nos primeiros 45 minutos.
Na segunda metade, a equipe arrefece e permite o crescimento dos adversários. Foi assim em Fortaleza, há duas semanas, quando cedeu o empate nos instantes finais. A situação se repetiu em Santarém, domingo passado, quando o S. Raimundo perdeu o jogo, mas deu sufoco durante todo o segundo tempo.
O quadro se reapresentou ontem, embora não se possa dizer que o Paissandu deu um passeio na primeira etapa. Foi superior, principalmente pela costumeira vantagem que Tiago Potiguar leva sobre as defesas inimigas, mas levou alguns sustos também.
Antes mesmo do gol de Paulão, escorando passe perfeito de Potiguar, o Fortaleza havia chegado com perigo. Mas as melhores jogadas eram alvicelestes. O placar teria sido mais folgado, se Bruno Rangel e Marquinhos não desperdiçassem chances diante do goleiro cearense.
Tudo mudou (para pior) no segundo tempo, quando o Fortaleza partiu decidido para empatar e pôs Rinaldo em campo. Ao lado de Finazzi, produziu várias manobras e ajudou a acuar o meio-campo bicolor. Como em Santarém, o Paissandu limitou-se a esperar brechas para contra-atacar e praticamente abriu mão de pressionar e impor seu jogo.
O empate veio mais pela insistência cearense. Fávaro, normalmente seguro, fraquejou na defesa do chute cruzado e espalmou para o lado errado: de frente para o artilheiro Finazzi, que só teve o trabalho de mandar para as redes. E podia ter sido pior, pois Rinaldo quase fez o segundo gol no minuto final.
A equipe de Charles Guerreiro ainda está entre as melhores da competição, mas precisa entender que não pode diminuir o ritmo nos instantes finais. Antes, o recuo parecia estratégia. Agora, dá a impressão de que é queda de produção mesmo.
O jogo de Cametá, pelo relato do companheiro Géo Araújo, teve o Remo com os problemas de sempre. Canindé e Gilsinho destoam no meio-campo. Gian entra para arrumar a casa no segundo tempo. Ontem, não deu. A preocupação, a partir de agora, é com as dificuldades – certamente maiores – do mata-mata.
Ao Cametá, resta a tristeza pela vitória frustrante. A perda da vaga, porém, ocorreu bem antes, na irregularidade mostrada nas primeiras rodadas.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 23)
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