Coluna: Sobre o lamento amazonense

Artigo recente de um jornal amazonense põe o dedo numa ferida há muito exposta e que, volta e meia, é tema de comentários na coluna e no blog. O autor, Paulo Rogério, deplora o abandono a que foi relegado o futebol amazonense, que hoje não atrai o interesse nem das emissoras de rádio. Ele observa que Manaus será sub-sede da Copa do Mundo de 2014, atraindo atenções do mundo inteiro, mas, estranhamente, o futebol não faz parte das prioridades dos manauaras.
Cita, com evidente espanto (inveja até), o fato de três emissoras de rádio de Belém terem se deslocado até Rio Preto da Eva para cobrir o jogo do Remo com o América-AM. Considera “uma vergonha” que as emissoras amazonenses não façam o mesmo, embora ressalvando que, por falta de patrocínio, mostram-se incapazes de acompanhar os passos do único representante baré no Campeonato Brasileiro.
Por fim, cobra mais comprometimento dos donos de emissoras com os destinos do futebol local e sugere que os segmentos empresariais ajudem no esforço de valorizar os clubes do Estado. Com certa dose de otimismo, avalia que nos próximos anos, à medida que a Copa de 2014 se aproxime no calendário, os investimentos começarão a brotar e o futebol será naturalmente contemplado.
 
 
Diante dos pontos abordados por Paulo Rogério, cabe fazer algumas considerações sobre o nosso maltratado futebol e as responsabilidades sobre seus êxitos (poucos) e fracassos (constantes). Em primeiro lugar, o fato de a comparação com o futebol do vizinho Estado nos favorecer tem uma explicação óbvia: a pujança popular da dupla Re-Pa.
O Pará respira futebol porque cultiva a rivalidade secular entre Remo e Paissandu. Que ninguém se iluda: a razão de existir do nosso futebol, mesmo em períodos de vacas magras, está assentada na paixão que essas duas bandeiras despertam no torcedor. Sem isso, a situação seguramente seria parecida com a dos amazonenses, que não têm para quem torcer desde que Nacional, Fast e Rio Negro praticamente foram extintos.        
E aí há outro aspecto a considerar: a imprensa esportiva paraense, às vezes apontada como geradora de crises, tem papel fundamental na sustentação dos dois grandes clubes. Claro que é via de mão dupla. Remo e Paissandu dependem das atenções da mídia e esta não passa sem eles. Desse pacto não escrito vive o futebol do Pará e somente os muito ingênuos – ou mal-intencionados – não reconhecem o fato.
 
 
O Remo promove coquetel, hoje, às 18h30, na Toca do Leão, em torno do goleiro Adriano, que comemora 150 jogos pelo clube. Haverá lançamento de camisa comemorativa e leilão da que foi usada na 150ª partida – contra o Cristal-AP, domingo passado. Gesto que une reconhecimento profissional e esperta ação de marketing esportivo.   

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 20)

17 comentários em “Coluna: Sobre o lamento amazonense

  1. Como de hábito, efetuo minhas leituras dinamicas no afã de pretender ler quase tudo o que me às mãos. A matéria agora exposta, de certa maneira nos absolve (cronica paraense) dos juizos errados dos quais somos vitimas. Queiram ou não, somos o oxigenio do futebol paraense. Certa vez atrevidamente afirmei que apesar das quedas vertiginosas de Remo e Paysandu o paraquedas da imprensa nunca esteve fechado e graças a isso vamos levando. Tive rápida passagem pela imprensa amazonense (Rádio Ajuricaba) e dou meu testemunho dos lamentos por falta de um noticiário massivo.
    O técnico Roberto Cavalo quando por aqui passou revelou-me sua estupefação com a cobertura dos nossos orgãos de imprensa. Fico à vontade pois não é de hoje que abertamente reprovo nosso compprtamento quando julgo indevido.
    Não queremos nada além do que merecemos, basta-nos o respeito público.

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  2. A despeito de todos os esforços da imprensa e dos generosos patrocínios governamentais, vejo o futebol paraense no mesmo caminho do futebol do Amazonas. A forte popularidade da dupla re x pa não impediu que ambos falissem e contraíssem dívidas que já não podem mais ser pagas. Imaginou-se que com a verba estatal, um valor exagerado, os clubes fossem sair do atoleiro, mas, para minha estupefação, o que se vê é o mesmo discurso de sempre: clubes de pires na mão, situação difícil, crise… Nada mudou! Para onde está indo o dinheiro, então, meus amigos? Se nem com tanta grana, esses times conseguem ver horizontes, que destino eles terão? Só para ilustrar: a primeira vez que ouvi falar em dívida trabalhista em nosso futebol, foi em 1996, ocasião em que conselheiros remistas mostravam-se preocupados diante de um débito total de 400 mil reais. Hoje, vê-se que em menos de quinze anos o valor multiplicou-se por dez!

    Não creio no fim de remo e paysandu por serem clubes populares, mas ficarão como Sampaio Corrêa, Moto e outras equipes que só vivem do nome. Talvez ainda lotem os estádios de torcedores apaixonados, mas seus times ficarão cada vez menos competitivos, agravando o que já se vê hoje. Não creio igualmente que a subvenção governamental dure para sempre (as finanças do Estado também vão de mal a pior). Que será desses times quando acabar a ajuda?

    O Remo tem perspectivas de subir? Poucas. O Paysandu, caso consiga o acesso, que chances tem de se manter na série B? Remotíssimas, visto que o futebol paraense, por sua falta de estrutura e pela distância dos grandes centros, nunca conseguiu se dar bem em campeonato de pontos corridos com turno e returno. Seu presidente recusa-se a revelar a contabilidade do clube ao conselho deliberativo. Diante disso, que esperar de nossos clubes?

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  3. Gerson, sem dúvida a rivaidade é o principal fator qe ainda mantém vivo o futebol paraense, basta considerar o reboliço que causa, eu e outros bicolores, quando zoam dos remistas, é clone para todo lado. A imprensa ma minha avaliação segue tal ordem de importancia por prender a atenção e incentivar o torcedor. Somos fortes por tudo que os dirigentes de clubes já fizeram de maltrados aos nossos clubes, uns maus intencionados, outros por falta de visão administrativa. Se voltarmos a frequentar a série mdiana do cenário nacional a tendência é recuperação, caso contrário aos poucos vamos nos distanciar deste espirito esportivo que chama o torcedor. Remo e Paissandú precisam urgentes serem mais competitivos para a salvação da lavoura paraense. Vamos torcer por isso.

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  4. O Paulo Rogério apenas confirma o que os manauaras comentam pelos quatro cantos de Manaus. La, em Manaus, o nº de torcedores só ultrapassa os 2000 nos estádios, quando Remo ou Paysandu vão jogar contra eles. Isso se deve ao fato de que em Manaus, residem mais de 300 mil paraenses.
    Ah, e quanto às perspectivas do Leão de subir para a Séria C, elas não são poucas, ao contrario, são imensuráveis. As chances, é que tal vez sejam poucas!

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  5. Já morei em Manaus por 8 anos, no auge do São Raimundo quando o clube baré disputou Comebol e foi tri campeão do norte, apesar das glórias no futebol ninguém lá tem orgulho de seus clube. Ao perguntar na rua: -para que time você? torce logo responde: Flamento ou Vasco. Nem jogo de libertadores eles veem por lá. A própria mídia amazonense emdeusa os clubes do Rio entrevistando torcedores nas ruas de Manaus perguntando o palpite dos jogos destes clubes.
    Quando morei lá a imprensa local, na possibilidade de escolha de transmissões da rede nacional, sempre escolhia um jogo de um time carioca, era incrível ver ao vivo um jogo do tipo: Botafogo x Corrissabá-pi, pela copa do Brasil enquanto eu recebia a notícia pelos meus irmãos em belém que aqui se assistia um São Paulo x Boca por exemplo.
    A própria imprensa Manaura plantou e colheu, pois lá os jogos do São raimundo sempre mudavam de horário e as vezes eram realizados até na segunda para nao competir com jogos dos clubes cariocas.
    O pior de tudo é que quando era campeonato nacional a tabela era marcada pela CBF, aí quando os jogos eram no mesmo horário se transmitiam o jogo do time carioca, somente com som das emissoras globo e band, e davam vez em quando noticias de como estava o jogo do time amazonense.
    Durante minha estada em manaus por várias vezes servi de chacota, pois eles não acreditavam que a imprensa paraense além de ter programas esportivos pela manhã, como o camisa 13, a tarde e a noite, tinha também matérias nos telejornais e que nas rádios os programas esportivos duravam uma hora e aos domingos era praticamente só para falar de futebol antes, durante e depois dos jogos. Contava também que a clube cobria com equipe própria as competiçoes nacionais e internacionais, inclusive copas do mundo.
    Aqui se planta, aqui se colhe. A imprensa que afundou o futebol amazonense em pleno auge do são raimundo e a mesma imprensa que faz lotar estádios e aumentar o fanatismo de clubes que estão em decadência como RePA.
    A propaganda continua sendo a alma do negócio.

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  6. Acredito que o Futebol Paraense, hoje, deva muito a Guilherme Guerreiro. Acredito, que se a Imprensa manda 3 emissoras cobrir um jogo em Manaus, é por tudo que ele fez e continua fazendo na Imprensa Paraense, mas precisamente, na Rádio Clube e, os outros, pra não ficarem por baixo, vão atrás. Penso que pessoas como Guilherme Guerreiro e Edson Matoso carregam a Imprensa Paraense, “nas costas”. Espero que eles vivam, por muitos e muitos anos, para que, não possamos chegar ao estágio de Manaus. Será que alguem esquece, como era a ´Rádio Clube, hoje com quase 100% de audiência, antes da chegada do Guerreiro? É bom não nos iludirmos. Aliados a esses dois Jornalistas, temos alguns bons, que surgiram e, outros que aí já estavam, mas que não eram tão conhecidos do torcedor, tais como: Gerson Nogueira, Hamilton Gualberto, Carlos Castilho e Carlos Ferreira. Penso que, para não chegarmos esse estágio que está em Manaus, precisamos qualificar melhor, a Imprensa Paraense, quem sabe possamos achar vários outros Jornalistas, como esses, acima citados. Não estou dizendo, com isso, que os outros não prestam, apenas que estão num patamar, abaixo,dos citados. Desculpem, mas é a minha opinião.

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  7. Assino em baixo amigo Gerson.

    A imprensa paraense (AM) tem inúmeros programas esportivos. A RBA tem o antigo (mas sempre renovado) bola na torre, sem contar os diários esportivos. A Liberal, mesmo dizendo amém a quase tudo que a Globo impõe, mantém um diário esportivo, além das entradas nos jornais.O SBT tem o bom SBT esporte e até mesmo a Rauland tem o seu programa esportivo com o Bad.

    Não preciso nem comentar sobre a Funtelpa (Cultura), se por um lado transmissão ao vivo para Belém é prejudicial, por outro, oportuniza além de dinheiro, maio visibilidade local de nossos clubes.

    Por isso, precisamos nos unir. Sou Paysandu, quero (e esse ano acredito muito) muito subir. Mas quero, também, o velho rival de volta. Quero final com o Remo. Quero de volta a velha Tuna. Quero o respeito (que nosso futebol teve num passado recente) de volta.
    Abraço!

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  8. Resposta a Rogério,

    Não vejo o futebol paraense caminhando como o do Amazonas. Diferentemente de você, vejo que neste anos de sufococo para Remo e Paysandu, surgiram forças emergentes que ja deram o que falar nacionalmente (Àguia e São Raimundo). O Mundico colocou 16 mil pessoas no colosso do tapajós, algo inimaginável a 5 anos atrás, contra o Fortaleza. Esta mal na terceira? Está. Nunca havia disputado esta competição, ou seja, esta apanhando pela inocência.

    Mas tenho certeza que se por um milagre (entenda-se o PSC abrir veladamente o jogo de Belém caso esteja classificado em primeiro, o que sinceramente não duvido, principalmente se for para afundar o Rio Branco) o mundicão poderá fazer uma terceira muito melhor para o ano.

    Abraço!

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  9. Concordo com as ponderações do Gerson em relação ao lamento amazonense, natural caros amigos, por isso as autoridades daquele estado, só jogam nos bastidores, passando a perna nos políticos ingênuos deste Estado, que apostaram na perda da sub sede da copa 2014, para impor desgaste à Governadora, agora em Outubro. Aí cabe uma especial reflexão ao Eleitor, Torcedor Paraense.
    Chegou a hora de darmos o trôco, nos nossos políticos que jogaram contra nós, só para impor desgaste ao atual Governo, afinal, quem sofre somos nós, torcedores; será que ainda vamos reeleger, algum daqueles que ainda tem mandato e estão lá em Brasília só cuidando dos interêsses próprios(dêles), as vezes escusos e venais?
    Penso que temos a oportunidade IMPAR de mandarmos TODOS prás casas deles, de volta, tá na hora do bilhete azul, sem aviso prévio, o famoso pé na bunda(PÉBUM).
    Quanto ao futebol amazonense, vai continuar no limbo, tá difícil voltar à baila, mesmo que consigam construir a tal arena vede, ou seja lá qual, o nome que receberá, terá destino certo, vai virar pasto,
    pros bois de parintins,
    vai virar BOIBÓDROMO,
    parece que é tendencia cultural de lá.
    Não menosprezem no entanto, a capacidade do estado do amazonas, de querer crescer derrubando o PARÁ, eles continuarão fazendo tudo, para nos impor qualquer desgaste, isso virou política de governo daquele estado, cujo, sobrevive de renúncia fiscal do Estado Brasileiro,(denominados de incentivos à zona franca de manaus) mesmo assim, se acham os tais, os iluminados, empreeendedores e por aí vai…..
    Assim é muitíssimo fácil ser empreendedor, sem precisar produzir lucros, afinal, aí entram os tais incentivos à ZFM, que nada mais são do que isenção de Impostos. Impostos que todos os trabalhadores brasileiros pagam, aliás, já vem descontado na fonte, no entanto prá zona franca de manaus subsistir, é dessa forma.
    Manaus tenta ser a metrópole da Amazônia, está muito longe disso, mesmo com as pernadas dadas e jôgo de bastidores…
    A realidade é muitíssima outra.

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  10. Onde ja se viu jaraqui, engolir um jacare’. NUNCA!

    Gerson e Tavernard sabem do que falam, A dupla de primos tem a coluna maltratada, mas jamais irao morrer.

    REXPA sao instituicoes que fazem partem da vida do belenense, todos os dias nascem adeptos, para um dos lados da Almirante e isso independe da fase.

    Nem mesmo minha Tuna, chegara’ ao fim, somente estamos dando um tempo.

    queria umas sobrinhas desse tacho, para cair um pouco acima da mesma Almirante. Num certo Chico Vasques.

    Quanta a cronica paraense, acredito que nao ha’ exatamente um culpado pelo tamanho da paixao dos paraenses pelo futebol, e’ um conjunto de fatores, coisa que vem desde ha’ muito tempo.

    Sempre havera’ gente de boa qualidade, misturada aos enganadores, mas isso existe em qualquer atividade.

    Belem cresceu em termos populacionais, mas ainda ha’ muita gente que pensa e age como se vivesse em uma vila.

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  11. Cláudio do Columbia. Esclareço-lhe que a historia da cronica e da radiofonia esportiva paranese não começaram ontem. Muitos já se foram e deixaram nome pela competencia e pelo trabalho de sempre acompanhar o futebol paraense desde os jogos da Seleções Estaduais.
    Em 50, Edyr e Grimoaldo´estiveram no Maracana. A partir de 62 falo como ator. Nossas emissoras sempre acompanharam Remo e Paysandu. Em 63, através de raido amador (o que era proibido) eu enviava boletins da presença do Paysandu em Paramaribo. Hoje isso seria feito atrves do celular.
    Na Libertadores, o Paysandu sempre teve ao seu lado a companhia das nossas emisoras..
    Não entendi a expressao ” ficar por baixo ” . Concorrer seroa a palavra certa para traduzir a intenção e o direito q

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  12. REPAROS URGENTES. no primeiro § leia-se a historia …NAO COMEÇOU ONTEM.
    Ao final, concluo ” … intenção, direito e obrigação de desempenhar suas atividades “.

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  13. Concordo plenamente, amigo Tavernard, talvez não tenha percebido.
    Retificando: “Pra não ficarem por baixo, vão atrás”, entendam: Isso fez com que alimentasse a concorrência, fazendo com que as outras rádios, acabem por cobrir, também,determinados jogos. Ok, amigo Tavernard? Peço desculpas, novamente. Grande abraço.

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