Dois dias de trabalho na África do Sul e ainda não houve tempo sequer de arrumar direito as malas no hotel, que fica meio longe do centro. No Centro de Imprensa, a mesma eficiência da organização interna da Fifa, que reproduz hoje os mesmos galpões e áreas de acesso aos jornalistas que tinham sido montados na Copa da Alemanha, há quatro anos. Há sempre espaço e conforto para todo mundo trabalhar e, mais que isso, alguns serviços de internet que facilitam a vida de escribas como eu. O problema é quando se sai dos domínios da Fifa para se defrontar com a realidade nua e crua da África do Sul, com seus serviços capengas e dificuldades imensas no relacionamento com os nativos. Percebe-se (posso estar enganado, mas fiquei com essa impressão) uma certa hostilidade no ar. Ainda no avião, da South African Airways, os comissários de bordo demonstravam irritação com os estrangeiros a bordo. Coisa bem diferente do temperamento brasileiro, normalmente receptivo a estrangeiros. Por ser assim, a gente estranha de imediato. Quando a coisa envolve dinheiro, tudo se complica ainda mais. O dinheiro local, que vale quatro vezes menos que o real, é fonte de alguns embaraços para visitantes. Há, ainda, aquele clima de levar vantagem em cima da ignorância de quem chega, coisa que não é privilégio sul-africano, mas que atrapalha tremendamente as coisas.
E os serviços básicos também deixam a desejar. Pegar táxi na rua, como em quase todo lugar do mundo, aqui é impossível. Aliás, não existem táxis como a gente conhece. Os carros de aluguel são contatados por telefone e podem ser divididos até por quatro pessoas, com a grana da viagem sendo acertada diretamente com o motorista. Um problema ainda mais terrível para quem precisa de notas comprovando a despesa. Para enfrentar essa dificuldade, Tomazo e eu estamos tentando contratar um motorista moçambicano, que arranha um pouco de português e conhece bem Johanesburgo. O ar de expectativa que o mundo vive em relação à Copa não existe aqui entre os sul-africanos. A grande maioria parece nem saber do torneio ou, quando muito, não dão maior importância. Parece uma festa de gringos para eles, infelizmente.
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