Coluna: Diferenças que preocupam

Messi, Higuaín, Tevez, Diego Milito, Palermo, Agüero e Lavezzi. Sete atacantes integram a lista de 30 convocados por Diego Maradona para a seleção argentina que disputará a Copa na África do Sul. Mesmo considerando que serão cortados ainda sete jogadores para a inscrição definitiva, a clara preferência pelo ataque escancara a identificação do técnico com o futebol ofensivo.
Por força de suas origens, é compreensível que Maradona defenda o conceito de que a melhor defesa é o ataque. Não estaria sendo fiel à sua história e ao próprio DNA se advogasse a prevalência dos cabeças-de-área sobre as cabeças pensantes.
É claro que os idiotas da objetividade poderão dizer que, pensando assim, ele terá dificuldades no futebol defensivista de hoje, com setores de marcação extremamente eficientes na função de anular dianteiros. O recente exemplo da Inter de Milão, que se fechou na retranca e eliminou o agressivo Barcelona da Liga dos Campeões, ainda martela na cabeça dos que preferem brucutu a craque.
Pode ser que Maradona enfrente, de fato, problemas para avançar na competição. Ao contrário de Dunga, que chegará à África do Sul escoltado por sete volantes, o ídolo argentino limitou – ainda na pré-lista – em seis a quantidade de marcadores no meio-campo. Diferenças que expõem o abismo entre as histórias e visões de cada um deles sobre futebol.    
Como o volante forçudo e aplicado que foi, Dunga vê beleza onde o resto da humanidade observa apenas transpiração e, às vezes, muita truculência. Aprendeu a dominar com perfeição a arte de roubar a bola de um adversário ou matar uma jogada, tornando-se muitas vezes o estraga-prazeres da festa. Nas peladas de rua, devia detestar atacantes dribladores. E, pelo que demonstra ao longo da carreira, continua a nutrir profundo desprezo pela classe, em descompasso com a torcida, que estará sempre ao lado de quem faz gol e proporciona alegria.
 
 
Apesar de todas as críticas feitas ao Maradona treinador, desconfio que estamos em desvantagem nessa disputa pré-Copa. Tivemos o azar de escalar um volante para cuidar do escrete, enquanto os argentinos têm o privilégio de contar com um super craque comandando o time. Nada impede que Dunga, no fim da história, saia como o grande vencedor – seu guru Parreira, em 94, também sorriu por último.
Mas, como naquela Copa, a primeira decidida na cobrança de penalidades, é quase certo que iremos sofrer até o último momento. Dunga, por sinal, na entrevista em que anunciou a convocação, defendeu o princípio purificador do sofrimento. Lembrou, tentando fazer piada, que só sofrem aqueles que têm um time disputando decisão de campeonato. Pelé, Garrincha, Tostão, Ronaldo e outros gênios nos ensinaram que é possível torcer sem sofrer. Ainda prefiro a velha escola. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 14) 

8 comentários em “Coluna: Diferenças que preocupam

  1. O Maradona é tão criticado na Argentina quanto o Dunga é por aqui. Se o Dunga prefere um time de operários, o Maradona se quer conseguiu dar um padrão de jogo a sua equipe (lembrem da mal-educada entrevista após a classificação à copa). Argentina vem patinando há algum tempo por conta de um malfadado 3-5-2 e o Maradona insiste com o mesmo esquema que fez aquele timaço de Batistuta e cia cair na primeira fase em 2002. Maradona não chamou os excelentes meios campistas Cambiasso e Lucho Gonzalez que sabem armar. Não adianta ter um super ataque sem ter quem crie as boas jogadas. Acho que Argentina cairá antes que Brasil.

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    1. Assino embaixo. Esperto é o Pelé que não quer ser técnico. Lá, a imprensa baba-ovo deixa “el 10” em paz, por aqui, o que seria do Pelé?

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    2. Permita discordar. Acho que com essa seleção não passamos da 1ª fase. Assim não sofreremos muito. Da minha parte torcerei por Robeen e Meci, dois craques realmente fora de série. Não quero outro 94.

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  2. “Dirigente(s) abespinhado(s), imprensa subserviente”?
    GN, as finais do segundo turno estão aí e eu não gostaria de deixar passar em brancas nuvens o lance da marmelada, contra a qual você tanto se debate, chegando a criar uma enquete que foi um tiro que saiu pela culatra, pois a ampla maioria tá votando que houve sim esquema naquele jogo e a repercurtir as palavras do LOP como se fossem testemunhos de boa-fé. Lembrando um post recente aqui no blog, é o caso de dizer: “Dirigente(s) abespinhado(s), imprensa subserviente”? Gostaria de ver na nossa apaixonada crônica esportiva alguém que seguisse a vertente do jornalismo investigativo, tantas são as suspeitas de negócios excusos no nosso futebol, principalmente e infelizmente ligados ao meu Paysandu. Coisas que remontam aos tempos de Rabelo, Morbach, Pinho, seguindo com Tourinho (limado do quadro social) e cia e, ao que tudo indica, perpetuando-se com LOP. Todos falastrões de marca maior que levam a imprensa só no bico e consequentemente os incautos leitores-torcedores. Algum jornalista foi a fundo pra saber o que se fez da dinheirama da Libertadores? Cadê a nova Curuzu? E o CT? A imprensa baixa o pau nas múltiplas contratações dos times, mas alguém procura comprovar os suspeitos esquemas com empresários? E as denúncias do Sr Alaci Corrêa (desculpe se o nome não for exatamente esse) contra a gestão do LOP? Colocaram o bate-boca na mídia, e aí? Cadê o balancete do PSC? Quem é que tá certo? Estão seguindo de perto a venda do Baenão ou pararam na última reunião do CD do Remo que aprovou o negócio? O LOP diz que não se guarda segredo entre duas pessoas e imagine entre 50, e aí você acredita? E o esquema da Itália que infelizmente não tirou o Paolo Rossi da Copa de 82? E o rebaixamento da Juve? E o caso da arbitragem na Alemanha? E a nossa loteca nos anos 70-80? E o Adilson P. de Carvalho?
    Chega de apenas querer levantar o Paysandu quando o Remo tá melhor e vice-versa. Sem querer ofender, mas apenas ilustrando, temos os nossos Gerson “Armando” Nogueira, que fala e escreve bem; o Guiherme “Bueno” Guerreiro, que berra que o Mangueirão estremece mesmo quando o Re x Pa leva apenas 15 mil ao estádio; o cômico Paulo “Lang” Caxiado, que pelo time dele vai às raias do ilusório; o efusivo Valdo “Kajuru” Souza, que grita de emissora em emissora até dar uma sumida. Tá na hora de surgir uma espécie de Kfouri papa-chibé pra cutucar as feridas, pois por aqui já temos Nuzmanns e Teixeiras demais. O maior patrimônio do futebol paraense, o torcedor comum, agradeceria.

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    1. Grande parte de suas queixas têm total fundamento, Maurício, e são minhas também. No Bola e no DIÁRIO, caderno e jornal sob minha responsabilidade, temos procurado seguir uma linha mais crítica, independente e que mexa com os bastidores, o lado oculto das atividades do nosso futebol. Já conseguimos pequenas vitórias, estamos buscando outras, mas ainda é muito pouco, quase insignificante, mas confio que chegaremos a um estágio mais avançado nesse jornalismo esportivo que não pode ser apenas contemplativo.

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  3. Como grande parte da torcida brasileira,tambám reprovei a convocação feita anão dos pampas,mas acredito que não se deve refutar por total o fato de que alguém tem que segurar o piano,nem todos podem ser ofensivos,alguém precisa fazer o “trabalho sujo”.Muitos criticam a postura a postura de dunga enquanto jogador ,mas é importante salientar sim a importãncia que ele teve na liderança daquela seleção vitoriosa em 1994.O ótimo trabalho desempenhado por bebeto e romário no ataque verde e amarelo só foi possível porque dunga,mauro silva,aldair e márcio santos formaram um excelente cinturão de segurança ao redor do gol de cláudio tafarel.A seleção de 1994 realmente ficou longe de encher os olhos,mas acabou com uma agonia de 24 anos onde o futebol brasileiro ficou sem levantar o caneco do mundo.Duvido que muitos que hoje detratam o papel desempenhado por dunga na seleção enquanto capitão do tetra,não se enfastiaram de felicidade quando o número 8 daquela seleção levantou a taça fifa naquele inesquecível 17 de julho de 1994.

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  4. Se não fosse por Romário e Bebeto, além do Tafarel o Brasil não chegaria à final em 94. O meio campo dava calo nos olhos. Só comparável ao do Lazaroni. Pura ruindade.

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  5. Ô saudade de 82. Aquilo sim era uma SELEÇÃO. Só não prestava o goleiro e o Serginho. O resto era só craque. Mesmo perdendo até hoje é reverenciada como das melhores de todos os tempos, junto com Holanda de 74 e 78 e Hungria de 50. Valhe a pena jogar bem. Faz bem aos olhos e principalmente à alma.

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