Editorial do jornal Agora S. Paulo
A Câmara dos Deputados discute se autorizará a realização de plebiscitos que podem aprovar a criação de mais dois Estados no país. Com os nomes de Carajás e Tapajós, eles seriam desmembrados do Pará. O Senado já aprovou os projetos.
Não faz o menor sentido esse tipo de proposta, que só serve para criar um número maior de empregos públicos. Se a decisão for colocada nas mãos da população local, é bem possível que ela vote pela separação.
Mas não é só esse o problema. Há várias outras propostas de criação de novos Estados, como a divisão de Mato Grosso, Amazonas, Maranhão, Piauí, Bahia, Minas Gerais e até de São Paulo. Se os dois desmembramentos do Pará passarem, eles darão força a novas iniciativas.
Esse tipo de projeto segue um mesmo modelo: políticos de regiões distantes se aproveitam da insatisfação dos eleitores com os governadores de seus Estados para defender a separação. Se tiverem sucesso, milhares de cargos brotam de uma só vez –governador, secretários de Estado, senadores, deputados federais e estaduais. Sem falar nos assessores.
Um dos Estados em debate é o de Rio Negro, hoje parte do Amazonas. Tem 87 mil pessoas. Caraguatatuba sozinha tem mais gente que isso.
O país já cometeu esse erro antes. A Constituição de 1988 permitiu a multiplicação desenfreada de municípios. Surgiram mais de mil. Muitos só vivem dos repasses de verbas federais. No final, o Congresso foi obrigado a limitar a criação de novos municípios.
O texto acerta na mosca. As propostas separatistas só interessam a políticos forasteiros e gananciosos. NÃO ao esquartejamento territorial do Pará.
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