Justificada pela necessidade de poupar jogadores para o compromisso decisivo na Copa do Brasil, semana que vem, em S. Paulo, o técnico Charles Guerreiro pôs em campo um Paissandu bastante modificado em Tucuruí, ontem, contra o Independente. O risco era calculado. Havia a possibilidade de um tropeço e, em escala mais grave, empanar o brilho da conquista do primeiro turno, ainda em comemoração pelo torcedor. Mas prevaleceu o planejamento em relação ao jogo contra o Palmeiras.
O empate final de 3 a 3 acabou dentro das expectativas, embora sem escapar a algum susto pela reação do Independente no segundo tempo. Por outro lado, Charles deve ter observado as dificuldades de articulação no meio-de-campo, até previsíveis diante da ampla mudança em comparação com as últimas apresentações.
Bruno Lança, Alexandre, Marquinhos e o estreante William até buscaram compensar o desentrosamento com iniciativas individuais, mas foi evidente o prejuízo causado pela baixa produção do setor de criação. Tiago Potiguar, escalado como segundo atacante, viu-se obrigado a recuar diversas vezes para tentar armar as jogadas, fazendo com que Bruno Rangel ficasse isolado na frente.
No primeiro tempo, o gol logo de saída e a superioridade numérica (o goleiro Kanu foi expulso após cometer pênalti) deram tranqüilidade à equipe e disfarçaram as deficiências, embora Gian Carlo e Ró tenham criado algumas situações perigosas.
Os problemas apareceram de fato na etapa final a partir do momento em que o Independente mostrou um mínimo de organização, sob a liderança de Marçal, seu principal articulador. Quando o Independente já havia virado o marcador, Charles recorreu aos seus trunfos, lançando Moisés e Zé Augusto. Como tinha um homem a mais, transformou essa vantagem em fator fundamental para reequilibrar a partida. O que acabou conseguindo em cruzamento de Tiago para o cabeceio de Bruno Rangel.
Da experiência de utilizar um time reformulado – dos titulares, só começaram jogando Fávaro, Allax e Tiago – fica a constatação de que, por enquanto, o Paissandu não conta com dois times confiáveis. Tem um bem ajustado e responsável pela ressurreição no campeonato, mas que se enfraquece caso sofra muitas alterações, principalmente no vital departamento da meia-cancha.
Giba chegou e já conseguiu empolgar a torcida remista, ávida por recuperação e ainda inconformada com a súbita queda de produção do time, que levou à perda do primeiro turno. É improvável que a equipe mude de imediato em relação à usada por Sinomar. Sozinho, sem comissão técnica, Giba precisará de pelo menos uma semana para conhecer os jogadores à sua disposição. Não me surpreenderia se, ao cabo desse período, nomes como Diego Azevedo, Levy, Marlon, San e Neto despontem como opções para o time titular.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 25)
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