Depois de oito gols sofridos em dois jogos, com direito a constrangedor baile santista pelo meio, o Remo entra em campo hoje com um peso redobrado sobre os ombros, precisando derrotar o Paissandu por dois gols de diferença para ganhar o ambicionado primeiro turno. O certo é que, no espaço de tempo de uma semana, o mundo caiu para os azulinos.
O time foi do céu ao inferno, sem escalas. Tudo deu errado. Primeiro, perdeu a invencibilidade no campeonato para o maior rival. De quebra ficou sem a vantagem do empate. E suprema humilhação: por minutos, correu o sério risco de uma goleada histórica.
O calvário prosseguiu quatro dias depois. Contra os meninos do Santos pela Copa do Brasil, viu-se fragorosamente derrotado no Mangueirão, perdendo a chance do 2º jogo – e viu ganharem asas R$ 200 mil da arrecadação.
Mais problemática que as derrotas é a perda da confiança na própria força. Não é para menos: o time que arrancava elogios pelo bom desempenho no começo do campeonato virou, de repente, um amontoado de jogadores. No meio e no ataque, onde antes havia entrosamento e eficácia, agora reina a instabilidade. A zaga, que nunca foi confiável, desandou de vez, comprometida pelo mau rendimento do setor de marcação.
Depois deste preâmbulo, pode-se afirmar que o desacreditado Remo de Sinomar Naves será presa fácil para o lampeiro e entusiasmado Paissandu? Como o Re-Pa tem longa tradição de imponderabilidade, é prudente não ter certezas, muito menos cravar palpites definitivos.
Não seria injusto dizer que a esta altura somente o retrospecto socorre o Remo. Tecnicamente, o favoritismo – que até domingo lhe pertencia – já se bandeou para o lado adversário. E não sem razão. O Paissandu, com Charles Guerreiro, empreende uma recuperação que poucos acreditavam possível, depois de tantos tiros a esmo nas contratações.
Está longe de ser um timaço, mas foi razoavelmente convincente nos dois desafios que teve pela frente. Contra o Remo, lançou mão da velocidade para anular as principais jogadas de Gian e Vélber. Ao mesmo tempo, explorou os pontos cegos da equipe de Sinomar, com ênfase nos laterais sem cobertura e nas crônicas dificuldades do miolo de zaga. Diante do Palmeiras, foi mais contido, preferindo cercar a área com a troca de passes. Não deu certo, mas também não envergonhou ninguém.
Como se vê, no bico do lápis, levando em conta a lei das probabilidades, a balança pende para o lado alviceleste. Ocorre que, há uma semana, a tendência era inversa e deu no que deu. Portanto, os dados ainda rolam e os favoritos de ontem podem ser os desafortunados de logo mais. É justamente dessa capacidade de surpreender que o Re-Pa extrai sua mística. Emoção em estado puro, mesmo quando os times não são brilhantes. E a paixão do torcedor resiste até à pífia participação na cena nacional (que os jogos da Copa do Brasil atestaram cruelmente nesta semana).
Só não se sabe até quando dura essa resistência.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 21)
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