Por Tiago Silva Guimarães (tsguima@yahoo.com.br)
Sou advogado e faço parte da Diretoria de Futebol da Assembléia Paraense. O motivo deste contato é solicitar sua ajuda no sentido de tornar pública minha revolta com a desorganização do projeto sócio-torcedor do Clube do Remo. Estão sendo oferecidos 04 (quatro) diferentes planos para quem quiser se associar, com diferentes valores de mensalidades – R$ 10,00, R$ 25,00, R$ 50,00 e R$ 100,00. Na última sexta-feira fui à sede do clube para me associar ao projeto, na intenção de me inscrever no plano “VIP”, cuja mensalidade é de R$ 25,00, pois este é o plano que atende minhas expectativas. No entanto, para minha surpresa e frustração, fui informado de que, pelo fato de eu ser sócio-proprietário do Clube do Remo, seria obrigado a me inscrever em um dos dois planos cujas mensalidades são R$ 50,00 ou R$ 100,00, já que os planos de mensalidades menores não são acessíveis a sócios-proprietários ou remidos do clube. Está havendo uma gravíssima inversão de valores no Clube do Remo. Os seus sócios, ao invés de serem beneficiados, estão sendo prejudicados, obrigados a pagar mensalidades mais caras do que os que não são sócios do clube.
No meu caso específico, sou sócio-proprietário, mas não pago minhas mensalidades há vários anos. Por causa deste absurdo, o Remo acabou ficando sem minhas mensalidades, as quais não pago e nem pretendo pagar, e sem a mensalidade que eu pagaria com prazer pelo sócio-torcedor. Ou seja, estão rasgando dinheiro. As pessoas escaladas para fazer o atendimento aos interessados na sala do sócio-torcedor são despreparadas. Após várias tentativas de argumentar junto à atendente que aquela situação era absurda, recebi a graciosa sugestão: “Vá até a Secretaria e cancele seu título de sócio-proprietário, que assim o Sr. poderá associar-se no sócio torcedor, pagando R$ 25,00 de mensalidade”. Como percebi que o Remo está tratando seus sócios como um lixo, me dirigi à Secretaria para cancelar mesmo meu título. Lá fui recebido por uma outra moça mais estúpida ainda, que ficava fazendo terríveis caras e bocas enquanto eu falava. Contei os motivos pelos quais estava solicitando o cancelamento do meu título e fui obrigado a ouvir o seguinte disparate: “…Então quer dizer que o sr. não faz a menor questão de ajudar o clube…”. Achei que ela só poderia estar brincando comigo e pedi para falar com um diretor. Veio um suposto diretor de sede, cheio de arrogância, e disse que eu poderia cancelar meu título sem problema algum, desde que levasse uma declaração com assinatura reconhecida, pois assim eu não poderia alegar posteriormente que não tinha pedido o cancelamento. Ou seja, mesmo que eu assinasse na frente de todos que estavam lá, minha assinatura não teria valor algum se não tivesse reconhecida por tabelião.
A conclusão dessa história: não pude me associar ao sócio-torcedor, pois seria obrigado a me associar em um plano que não me interessa e continuo (e continuarei) sem pagar minhas mensalidades de sócio do clube. Além disso, iria fazer um plano igual para presentear um tio que faria aniversário no sábado. Detalhe: esse meu tio é sócio remido! Mesmo assim, ele também seria obrigado a pagar R$ 50,00 ou R$ 100,00, e não R$ 25,00, como qualquer torcedor comum do Remo. Incrível! Me parece que o Remo é um clube rico, sem dívidas, que pode se dar ao desfrute de abdicar de valores que seriam pagos e entrariam sem bloqueios da Justiça do Trabalho e de não fazer nenhuma questão de atrair seus sócios.
Meu amado clube está entregue a uma corja de incompetentes, que só sabem dilapidar o patrimônio do clube, sem qualquer capacidade para gerir os recursos financeiros. Depois deste episódio, concluí que este projeto sócio-torcedor está fadado ao fracasso, pois o clube prefere abrir mão de novos associados a corrigir uma idéia equivocada dos idealizadores do projeto; concluí ainda que a venda do Baenão será desastrosa mesmo. O dinheiro vai todo pelo ralo.
(Tiago Silva Guimarães – OAB/PA nº. 11357)
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