Mais do que a óbvia importância da classificação à segunda fase da Copa do Brasil, a goleada sobre o São Mateus tem para o Remo um efeito revigorante do ponto de vista financeiro. Além do que foi arrecadado no confronto de ontem, o clube se habilita a faturar nos próximos três jogos (em apenas 10 dias) algo em torno de R$ 1 milhão, quantia suficiente para bancar as despesas do futebol no primeiro semestre.
A conta é simples. Nos dois jogos da decisão do primeiro turno do campeonato, contra o Paissandu, a previsão é de um faturamento em torno de R$ 400 mil para cada lado. Junte-se a isso o montante a ser obtido no jogo contra o Santos pela 2ª fase da Copa BR, no estádio Mangueirão. Em situação normal, é espetáculo para render mais de R$ 600 mil, líquidos. Além disso, ainda há o bônus de R$ 75 mil pela passagem de fase.
A sustentar essa expectativa há o grande interesse do torcedor pelas finais do turno e a atração representada hoje pelo Santos, que encanta a todos pelo estilo vistoso e ofensivo que apresenta. Com Robinho, Neymar, Ganso e Giovanni, o Peixe vence seus jogos e dá show. O pobre Naviraiense, vítima de ontem, que o diga.
Em campo, o Remo só pisou na bola nos primeiros minutos. Distraída, a zaga permitiu ao arisco Bombom o gol de abertura, dando um susto na torcida, ainda traumatizada pela lembrança das derrotas para Palmas e Central em edições anteriores do torneio. Mas os problemas foram superados e as oportunidades começaram a surgir a partir do instante que Gian, Vélber e Héliton passaram a tocar a bola, fazendo valer a melhor qualidade do meio-campo remista.
Veio o empate, em lance de oportunismo do atacante Marciano, e antes que o primeiro tempo terminasse Héliton desempatou, tranqüilizando as coisas para o segundo tempo. Antes disso, Gian, Danilo e Vélber perderam boas chances. O São Mateus só assustou quando a defesa deixava de mão os rápidos Bombom e Moisés.
A festa se completou logo no início do segundo tempo, quando Gian fez grande lançamento para Vélber finalizar. À medida que as substituições (Gian por Otacílio, Vélber por Samir) se sucediam, o ritmo ia arrefecendo. Mas o quarto gol, de Marciano, ainda viria para coroar a grande atuação.
A novela que perigava se arrastar indefinidamente chegou ao fim, ontem, por iniciativa do próprio ator principal: o atacante Enilton, anunciado como a grande contratação da temporada (juntamente com o volante Sandro), pediu desligamento do Paissandu. Teve mais juízo que os dirigentes que o contrataram e postergaram uma decisão por duas semanas. Experiente e com boas passagens por Sport e Palmeiras, Enilton reclama de lesões que os médicos do Paissandu não conseguiram confirmar. Detalhe: o jogador foi contratado antes de ser submetido aos exames médicos de praxe. Que a bola fora sirva de lição.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 11)

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