Mesmo sob o risco de cair na opereta de obviedades que a crônica esportiva costuma promover em véspera de partidas decisivas, cabe dizer que esse Remo x São Raimundo tem pinta de jogo equilibrado, mordido, sem favoritismo destacado. É verdade que há a vantagem do empate, favorável ao Remo, mas no embate direto as possibilidades são equivalentes.
Pode-se avaliar, ainda, que o fator campo é importante, capaz de pesar na balança, mas aí a coisa entra no terreno do imponderável. Já vi jogos no Baenão em que a torcida, por impaciência e pressa, torna-se um fardo difícil de carregar e facilita a vida do visitante.
No papel, o Remo é o melhor time, com o ataque mais positivo, três dos artilheiros da competição, além de ser o único invicto. São números respeitáveis, que o credenciam a passar à final do turno, mas o futebol nem sempre é tão cartesiano assim.
Do meio para frente, o time de Sinomar Naves dispõe de habilidades que nenhum outro concorrente apresentou no campeonato até agora. Gian, Vélber, Marciano e Héliton alcançaram alto nível de aproveitamento, fazendo com que o Remo marcasse gols em todas as sete partidas anteriores. E, mesmo quando sofreu um gol logo de cara, a equipe teve força e competência para reverter o placar ou impedir a derrota.
Para hoje, Sinomar terá trunfos extras. Otacílio é opção para o meio-campo ou até para a lateral direita. E Samir, que se tornou uma das principais figuras do Remo no campeonato, volta a funcionar como arma para o segundo tempo.
Desde que o mundo é mundo, um time que joga com quatro jogadores adiantados, rondando a área adversária, tem sempre mais chances de chegar ao gol. Funcionou com o Remo ao longo de toda a campanha. Resta saber se agora, na hora da verdade, essa tendência vai se confirmar.
Do lado santareno, a força está no conjunto. Beto, suspenso, não joga. Maurício Oliveira deve ser o substituto, o que altera a cadência no meio-campo. Oliveira guarnece mais, raramente sai para apoiar o ataque. Mas o São Raimundo tem como compensar isso através de Michel e Pitbull, responsáveis pela criação de jogadas para a dupla Branco-Max Jari. Sempre no 3-5-2, o técnico Flávio Barros explora o contra-ataque com seus dois atacantes bem abertos, apostando na velocidade. No confronto de três semanas atrás, usou bastante esse artifício, mas perdeu o jogo.
Levantamento de Sérgio Wilson e Rodrigo Godinho, da Rádio Clube, compara os dois campeonatos (até a 7ª rodada) e indica boa vantagem para o deste ano em público e renda, com 35.599 pagantes e R$ 690.319,00 a mais que 2009. Em termos de disciplina, porém, 2010 perde feio: foram 13 expulsões até agora, contra 9 no ano passado. Uma curiosidade: dos 10 pênaltis marcados, quatro favoreceram ao Paissandu.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 7)
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