Coluna: O maestro resistente

Tentadoras ofertas de dinheiro têm sido encaminhadas a um jogador sul-americano, talvez como a nenhum outro futebolista em atividade no continente. O alvo é Juan Roman Riquelme, meia-armador clássico, típico camisa 10 como há muito não se vê mais. Dono de estilo refinado de jogar, dribles elegantes e temível disparo de média distância, reina na Bombonera como ídolo incontestável da fanática torcida.
Tem o maior salário do futebol portenho, algo em torno de R$ 300 mil, segundo o jornal Olé. Ao que se especula, o Corinthians teria chegado a uma quantia bem superior aos ganhos atuais de Riquelme. Apresentou proposta a seus representantes desde o começo do ano, quando ainda disputava a Copa do Brasil.
Depois de conquistar o torneio, voltou à carga, insistindo na aquisição do craque para a disputa da Libertadores 2010. Desde o início das conversas, o jogador não manifestou interesse em vir jogar no Brasil. Aliás, nunca admitiu claramente ter sido procurado pelo Corinthians. Fiel ao estilo prima-dona, que os argentinos tanto cultuam, Riquelme não é de dar muitas entrevistas. Quando se dispõe a falar alguma coisa, fala pouco.
Repórteres argentinos com quem conversei durante a cobertura da Copa da Alemanha são unânimes em definir o meia como uma estrela, que se cerca de assessores e não abre espaço para ninguém que não seja de seu círculo pessoal. Depois do seqüestro de um irmão, Riquelme ficou compreensivelmente ainda mais arredio. De temperamento forte, abespinhou-se com críticas de Maradona e deu tchau à seleção argentina. Coisa de gente difícil? Prefiro ver no gesto coisa de gente de caráter. 
Nos últimos dias, investidores ligados ao Corinthians reforçaram o cerco ao jogador. Ontem, como não fazia há semanas, Roman, como é chamado pelos boquenses, fez aparição de surpresa na sala de imprensa da Bombonera e reafirmou seu amor incondicional pelo Boca.
Disse que nunca tratou diretamente com clubes interessados em sua contratação. Seus advogados cuidam disso e levam as propostas à direção do Boca. Deixou claro que vai cumprir seu acordo contratual até 30 de junho, “porque tem palavra”. E acrescentou que fica por lá até o fim da carreira, se assim permitirem.  
Sorte do Boca, azar do Corinthians, que fica sem um maestro capaz de arrumar aquele meio-campo povoado de carregadores de piano. Azar também do futebol brasileiro, que só teria a lucrar com a presença desse médio de raro talento, um dos últimos artistas dos gramados. 
 
 
Saiu a convocação, assinada pelo presidente do Conselho Deliberativo do Remo, Felício de Araújo Pontes, aos membros natos (grande-beneméritos, beneméritos e ex-presidentes) e eleitos (conselheiros), para a reunião extraordinária do próximo dia 9 de dezembro, no auditório do Metropolitan Tower (à rua dos Mundurucus, 3.100). Finalidade da reunião: apreciação de proposta de compra do Baenão pela Igreja Universal do Reino de Deus.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 4)

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