Coluna: Campeonato decidido

O campeonato mais surpreendente da era dos pontos corridos finalmente se encaminha para um desfecho mais ou menos previsível, depois de outra rodada cheia de solavancos e reviravoltas. A domingueira foi sensacional para o torcedor, embora de intensa agonia para muitos – inclusive para este escriba baionense, roendo as unhas em mais uma miserável penitência botafoguense.
Mas as vitórias do Flamengo sobre o Corinthians, nem tão surpreendente assim, e a do Goiás sobre o São Paulo, categórica e sem reparos, selaram o destino do título. Só um desastre de proporções tsunâmicas poderá tirar do Rubro-Negro carioca a conquista nacional depois do jejum de 17 anos.
Domingo que vem, no Maracanã, diante de um Grêmio duplamente desinteressado (não tem mais nada a ganhar no torneio e nenhum interesse em ver o rival Inter campeão), o Flamengo fará um desfile, com direito a fanfarras e foguetório. E, diga-se, será merecido porque, na reta decisiva, o time mais brasileiramente armado é justamente o de Andrade, fiel a seus princípios de refinado craque dos gramados.
Joga à base de passes rápidos e lançamentos de um legítimo camisa 10, dentro da melhor tradição nacional, embora o sujeito seja sérvio. Ontem, mesmo sem seu principal jogador (Adriano) e com jogadores tecnicamente sofríveis, Juan e Bruno Mezenga, conseguiu ser superior a um Corinthians apenas esforçado e claramente fora de órbita em relação ao campeonato.
Talvez Mano Menezes já esteja pensando nos confrontos da Libertadores 2010. O que menos parecia interessar ao Timão diante do Flamengo era jogar. Apesar das muitas reclamações, das duas expulsões (do técnico e de Chicão) e das presepadas do goleiro metido a pândego, os corintianos apenas cumpriram tabela. Contra uma equipe disposta a tudo para vencer, o resultado não podia ser outro. Por isso, entendo que o título da temporada foi decidido ali, no gramado do Brinco de Ouro da Princesa.
Em Goiânia, os tricolores jogaram do mesmo jeito que no Rio, contra o Botafogo. No contra-ataque, na espera. O problema é que, no penúltimo degrau da disputa, não se concebe que um time jogue tão medrosamente. O empate não servia, mas, ainda assim, o São Paulo se resguardava. Esperava um erro do Goiás, que aconteceu duas vezes e Washington foi lá conferir. Ocorre que os goianos foram mais determinados e construíram uma vitória categórica e sem contestações.
 
 
Na parte inferior da tabela, as coisas terminaram bem para o Atlético-PR e muito mal para Botafogo e Coritiba, embora dependam de suas próprias pernas para escapar. O Fluminense pôs o pé fora da zona e leva jeito de que vai mesmo, com valentia e bom futebol, se salvar da degola.
 
 
No Parazão, a melhor notícia vem de Tucuruí. O Independente passou pelo Castanhal e se consolida na liderança. A campanha, invicta, confirma o trabalho consistente de Samuel Cândido. Bastam mais duas vitórias para assegurar classificação à fase principal.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 30)

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