Nem bem a gente se recompõe das alegrias proporcionadas pelo São Raimundo, eis que a cartolagem de Belém dá um jeito de estragar a festa. Em delírios típicos de clubes há muito presos a modelos obtusos de gestão, desembarca em Val-de-Cans nova legião de reforços garimpados pelo Remo no vasto (e movediço) mercado nacional da bola.
Em movimento pendular que caracteriza a relação de competitividade rasteira entre os dois grandes rivais, sem qualquer efeito prático, o Remo começa a cumprir sua agenda anual de importação em massa, apenas uma semana depois de o Paissandu ter feito a mesmíssima coisa – ao todo, a Curuzu recebeu 15 contratações.
No parrudo carrinho de supermercado do Remo cabe, por enquanto, uma ampla variedade de ofertas, com direito a homônimos traiçoeiros, como o do volante Fabrício Carvalho – nada a ver com o artilheiro do mesmo nome, que andou pelo Goiás e pela Lusa.
Informações repassadas pela Rádio Clube indicam que Roberval Davino foi consultado sobre a contratação do volante Danilo Mendes. Boa providência, afinal Davino é o mais vitorioso técnico da história azulina, com direito a estátua na calçada do Evandro Almeida – se der tempo, pois Amaro Klautau tem pressa em se desfazer do tradicional estádio.
O problema é que Davino bem que podia ter sido sondado quanto a voltar a treinar o time, pois obviamente não há projeto de médio prazo em futebol que não envolva a contratação de um treinador gabaritado e com reconhecida experiência em competições nacionais.
A não ser, claro, que a verdadeira meta da atual diretoria seja mesmo a de ficar em quarto lugar no Campeonato Paraense. Para conseguir esse modesto objetivo, não existe necessidade de substituir o bom Sinomar Naves, que vem segurando o osso nos amistosos caça-níqueis (e votos) no interior do Estado.
Além da indiferença quanto a nomes desconhecidos, como Renan e Fabrício, ou incertos, como Samir – que foi bom jogador há seis anos, quando defendia o Figueirense –, paira o anunciado acerto para o retorno do meia Gian, ex-“Príncipe do Baenão”.
A última grande notícia envolvendo Gian e o Remo foi a incrível conciliação (?) trabalhista entre ambos, que garantiu ao atleta cerca de R$ 450 mil, conforme foi anunciado à época. A quantia, uma exorbitância para acordos do gênero, foi extraída do valor obtido pelo Remo no leilão da sede campestre, durante a funesta gestão Raimundo Ribeiro.
Pela importância dada à contratação de Gian, sem jogar bola há mais de um ano, tem-se a medida exata das pretensões remistas na temporada 2010. Pode até dar certo, afinal Petkovic e Marcelinho Carioca continuam em alta, mas não haveria alternativa mais jovem, como Rafael Oliveira?
E ainda há quem fique furibundo quando o S. Raimundo é citado como exemplo por este escriba baionense. A resposta está aí.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 4)
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