O calendário da próxima temporada, divulgado na sexta-feira pela CBF, traz alguns aspectos interessantes para análise e aproveitamento adequado pelos dirigentes do futebol paraense. A principal notícia é que o campeonato estadual, que vai de 17 de janeiro a 2 de maio, permitirá – em função do recesso para a Copa do Mundo – um providencial espaço de 40 dias. Tempo mais do que suficiente para que os clubes se preparem adequadamente com vistas às competições nacionais do segundo semestre.
Por força do Mundial da Fifa, os representantes paraenses terão a oportunidade, às vezes tão reclamada, de formar times mais competitivos e em condições de cobiçar boas colocações. Para a Série C, Paissandu, Águia e S. Raimundo terão tempo mais do que suficiente para montar suas equipes e brigar pelo acesso à Segunda Divisão.
Já o Remo, que tem boas perspectivas de conquistar a vaga paraense na Série D, terá a obrigação de investir para que o time do Parazão seja capaz de disputar o Brasileiro na condição de favorito ao título. Depois de passar a metade da temporada 2009 distante de competições oficiais, o clube iniciará 2010 com responsabilidades maiores junto à torcida e pressionado a recuperar o tempo perdido.
O cenário ideal seria que o Pará começasse a resgatar prestígio já a partir da Copa do Brasil, que começa a 10 de fevereiro. Competição tradicionalmente negligenciada pelos clubes daqui, desta vez o torneio terá Paissandu, Águia e, provavelmente, o Remo – dependendo ainda da classificação do S. Paulo à Libertadores.
Mesmo que não alimentem a pretensão de disputar o título da Copa, as três equipes devem nutrir a ambição natural de alcançar as fases mais decisivas, que garantem premiações mais robustas. Para isso, porém, as equipes terão que se planejar a partir de agora, para que entrem reforçadas no Estadual, que se desenrolará simultaneamente.
Ao fim e ao cabo, as coisas se resumem à velha história de sempre: os clubes devem ter cuidados e critérios. E, acima de tudo, precisam contar com a sorte nas contratações, pois clubes disputantes das séries C e D vivem de garimpar talentos desconhecidos ou arriscar na aquisição de veteranos refugados nas divisões principais.
O S. Raimundo deu um largo passo para ir à decisão da Série D. A vitória sobre o Alecrim, apesar do susto inicial, foi relativamente tranqüila. A lamentar o segundo tempo desperdiçado, pois a defesa potiguar permitiu chances para que o placar fosse ampliado. Vale lembrar que a disputa em mata-mata não permite vacilos aos mandantes e o gol de Val pode pesar muito na definição do finalista.
De todo modo, o S. Raimundo chegará ao segundo jogo (dia 18) na condição de favorito para continuar na competição, desde que os problemas internos não conturbem o ambiente novamente.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 5)
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