Muricy Ramalho acaba de dar uma das melhores entrevistas de sua carreira. Tranquilo, sereno e respeitoso. Analisou a vitória cruzeirense como normal (“jogaram melhor”), a reação da torcida são-paulina (“os caras têm todo o direito de chiar depois da perda do Paulista e da Libertadores”) e ainda antecipou seus próximos dias no clube: “Não fico onde meu trabalho não contribui. Se houver o entendimento de que não estou ajudando em nada, vou embora. Não tenho multa rescisória, não vou ficar forçando uma barra onde não me quiserem. No futebol, se não houver união de esforços e integração, nada acontece”. Simples e direto.
Eu que sempre vi Muricy como um sujeito ríspido aprendi a vê-lo melhor hoje, numa noite difícil para qualquer profissional – a noite da derrota. Foi bom perceber sua consciência da solidão que aflige os vencidos. Mostrou que é um cara com a exata noção de seu tempo e espaço. E seu exemplo serve para todo tipo de profissional empregado, que, em algum momento da carreira, tem seus méritos questionados. Não adianta muito, mas faço questão de me solidarizar com ele.
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