Diploma de jornalista em pauta

O diploma de jornalista e os juízes do STF

Oswaldo Coimbra (*)

(*) Jornalista profissional e pós-doutor em Jornalismo pela ECA/USP

O Supremo Tribunal Federal pode extinguir a exigência de diploma para o exercício do Jornalismo, anunciou o site Congresso em Foco, em outubro do ano passado, no título de uma matéria assinada por Renata Camargo. A veiculação daquela informação merece crédito porque o site, no ar desde 2004, faz uma cobertura independente e analítica dos principais fatos políticos da Capital Federal e já obteve o reconhecimento de sua seriedade por parte dos próprios jornalistas, quando recebeu o Prêmio Vladimir Herzog, concedido pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

A previsão do site se apoiava nas manifestações contrárias àquela exigência de seis dos onze ministros do STF que julgam não ser necessário a quem queira ser jornalista obter uma formação específica. Renata Camargo, porém, teve o cuidado de registrar em seu texto que os seis ministros poderão rever a posição antecipada sobre este assunto. Mas, obviamente, em contrapartida, entre os outros cinco ministros, que ainda não se manifestaram, poderá haver quem também acompanhe aquele ponto de vista expresso hoje pela maioria dos seus colegas.

Se a previsão do site se confirmar, o exercício do Jornalismo no Brasil ficará afetado, pelo menos por algum tempo, pela decisão com a qual o STF poderá anular os efeitos do Decreto Lei 972, criado pelos militares que controlavam a vida do país em 1969, quando aquela exigência foi imposta. Mas, como lembrou a jornalista em sua matéria, os poderes legislativo e executivo – através da Presidência da República e do Congresso Nacional – já deram mostras de que estão dispostos a criar novas regulamentações para o Jornalismo. Isto significa que, a médio prazo, esta questão dificilmente se esgotará com a decisão do STF.

Na discussão da exigência de diploma para os jornalistas no STF chama a atenção o fato de que os magistrados terão de se firmar uma posição – como, aliás, já começara a fazê-lo, conforme demonstram suas manifestações – sobre a escorregadia questão da formação de quem escreve profissionalmente – uma questão sobre a qual parece impossível adotar-se uma posição segura e definitiva, mesmo entre as pessoas que se ocupam exclusivamente dela: os educadores. Com isto surge a primeira pergunta inquietante, dentro desta discussão: como os membros de um tribunal de justiça poderão saber se a formação de um jornalista tem (ou não tem) uma natureza específica e por isto exige (ou não exige) diploma universitário?

Há no exercício do Jornalismo aspectos que parecem demandar uma formação meramente técnica fornecida até por um curso de segundo grau profissionalizante.

No entanto, mesmo estes aspectos – como muitos outros dentro desta profissão – remetem ao campo muito complexo do domínio da linguagem verbal. Algo aparentemente simples como a preparação de um título para alguma matéria jamais será realizado com a precisão e o rigor indispensáveis ao Jornalismo, se o jornalista não dispuser de recursos de expressão verbal suficientes para encontrar em seu vocabulário exatamente as palavras de que necessitará. E alguém poderá enxergar uma falta de caráter específico num ofício cuja prática exige, somente num de seus aspectos, o domínio de amplos recursos de expressão verbal?

Esta pergunta é a segunda pergunta inquietante, num instante no qual a Justiça brasileira vai se pronunciar de forma definitiva sobre este assunto. Há outras perguntas com a mesma natureza. Por exemplo: a formação intelectual de um jovem destinado à criação de textos para jornais, dentro de áreas especializadas, como as de Economia, Política, Saúde etc, pode prescindir de uma formação intelectual universitária?

Há uma generalizada insatisfação com a formação fornecida pelos cursos de Comunicação Social. Mas isto significa que um jovem destinado a escrever sobre Música, sobre Esportes ou sobre os graves problemas urbanos do Brasil, nada tem a aprender numa Faculdade de Música, de Educação Física ou de Urbanismo?

2 comentários em “Diploma de jornalista em pauta

  1. Grande Gerson…Isso sempre foi debatido mas nunca resolvido…aproveito para perguntar o que pensa sobre jornalistas sem diploma ? vale mais a experiencia adquirida na empresa ou ns bancos de escolas ? sds, Edmundo Neves

  2. Acho um absurdo essa implicância com o diploma de jornalista. É claro que esse profissional tem que passar por uma faculdade específica para se habilitar para a função, sim. Dizer que a universidade não prepara bem e que por isso o diploma tem que ser extinto é o mesmo caso daquele marido que pegou a mulher com outro no sofá de casa e resolveu jogar fora o sofá.

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