
POR GERSON NOGUEIRA
Para o Remo, o jogo é uma oportunidade para vencer a primeira fora de casa no Brasileiro. Para o Santos, significa a chance de ganhar fôlego na competição. Os times estão na parte inferior da tabela e precisam reagir. Os azulinos, mais ainda, depois de tropeços seguidos na Copa Norte e de cair para a lanterna da Série A.
No confronto de hoje, às 19h, na Vila Belmiro, Léo Condé busca reeditar a excelente atuação diante do Bahia, quando o Remo quebrou o jejum de vitórias, resgatando as esperanças do torcedor quanto à permanência na Série A.
Sem poder contar com Patrick, que pertence ao Peixe e está impedido de jogar, Condé deve optar por uma linha de meio de perfil conservador, com Zé Welison, Zé Ricardo, Leonel Picco e David Braga. No ataque, Alef Manga e Taliari.
A linha de zaga terá mudanças importantes em relação ao jogo contra o Bahia. Sem Marllon, lesionado, a dupla central será Tchamba e Kayky Almeida. Nas laterais, Marcelinho e Maick. Essa formação terminou o jogo com o Monte Roraima, domingo, no Baenão.
Tudo o que o Remo precisa fazer na Vila Belmiro é reproduzir a dinâmica que garantiu a goleada sobre o Bahia, com transição rápida e avanço pelas laterais. Vítor Bueno, de papel crucial naquela partida, está fora das próximas rodadas e será substituído por David Braga (foto), um meia de características até mais ofensivas.
A dúvida é quanto ao entrosamento de David com os companheiros, principalmente com o atacante Taliari, que se beneficiou das articulações com Bueno e brilhou na estreia com dois gols.
Consciente do perigo representado por Neymar, que desfalcou o Santos contra o Cruzeiro, o Leão deve manter a vigilância sobre o meia-atacante. Confirmado pelo técnico Cuca, o camisa 10 ainda luta para ser incluído na convocação final de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo.
As muitas incertezas sobre as condições físicas e técnicas continuam a comprometer as chances de Neymar na Seleção, por isso o confronto de hoje pode ser decisivo para convencer Ancelotti. O que representa um perigo adicional para o Remo na partida.
Em recuperação de uma contusão, Gabriel Barbosa não vai jogar, mas o paraense Rony, revelado pelo próprio Remo, é um dos destaques do Santos, ao lado do centroavante Thaciano. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)
Joia da base liberada de mão beijada ao Águia
Oriundo do município de Tomé-Açu, o meia-atacante Kakaroto fez furor nas divisões de base do Remo, conquistando títulos e despontando como grande revelação em três edições da Copa S. Paulo de Futebol Júnior, além de participar da Copa do Brasil sub-20. Apesar disso, foi liberado (sem ônus) para o Águia de Marabá.
Aos 20 anos, apesar do sucesso na base, Kakaroto entrou para a concorrida galeria de promessas que não se concretizam no futebol profissional. Foi relacionado por Juan Carlos Osório para dois jogos do Parazão – contra S. Francisco e Castanhal –, mas não entrou em campo.
No ano passado, Kakaroto viveu sua primeira experiência profissional ao defender as cores do São Raimundo, de Santarém, na campanha do acesso à elite estadual. Foi escalado em seis partidas e marcou um gol, exibindo suas principais qualidades: habilidade e finalização certeira.
A liberação pelo Remo abre novas perspectivas para o jogador e dá ao Águia um reforço promissor, que vai se juntar aos bons valores da equipe, como Felipe Pará, Kukri e Wendell. Terá oportunidade de mostrar seu valor na disputa da Copa Norte, onde o Águia faz boa campanha, e também na Série D, que começa no fim de semana.
Derrota do Papão B revela fragilidades
Algumas derrotas são exemplares e podem deixar boas lições. A queda do time do B do Papão diante do Guaporé, campeão rondoniense, expôs limitações e quebrou a sequência vitoriosa das “crias”, mas o resultado precisa ser analisado de forma mais pé no chão, sem os exageros que normalmente cercam os dois grandes da capital.
Válido pela Copa Norte, o jogo colocou em ação quase todas as revelações da base, ao lado de recém-contratados, como o zagueiro Bruno Bispo, e alguns ex-titulares, como Danilo Peu, JP Galvão e Jean Drosny.
O resultado, absolutamente normal, não compromete a campanha do PSC na Copa Norte e não pode atrapalhar os planos de Júnior Rocha em relação à Série C, competição realmente prioritária da temporada.
Danilo, do Botafogo, brilha e cria desconforto
Depois da vitória do Brasil sobre a Croácia, um comentário recorrente na imprensa mereceu observação do apresentador Bruno Vicari, da ESPN.
“Posso fazer um desabafo? Cara, tem uma coisa que está me incomodando, que é o seguinte. ‘Ah, o Danilo, do Botafogo, aquele do Palmeiras. Ah, o Danilo, do Palmeiras’. Porque a gente menciona, e não sei por que a gente menciona, o Danilo não é jogador do Palmeiras. Começou no Palmeiras como outros jogadores também começaram em outros clubes. Mas tratam o Danilo como se fosse do Palmeiras e como se o Botafogo não tivesse importância na história. É esse o meu desabafo. Alguém fala o Vinícius Júnior, do Flamengo? Ninguém fala. Vinícius é do Real Madrid”.

É simples: Luiz Henrique vai à Copa, Danilo também e o Botafogo é a camisa mais pesada quando o assunto é Seleção vs. Copa do Mundo.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 02)
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