POR GERSON NOGUEIRA
Depois do vexame do time B/C na estreia, em Porto Velho, os titulares do Remo frustraram a torcida diante do limitado Monte Roraima, na tarde deste domingo (29), no Baenão, castigado pela chuva intensa. Depois de bombardear o gol adversário, principalmente no 2º tempo, o time de Léo Condé teve que se contentar com um empate que praticamente tira as chances de classificação na Copa Norte.
Mais do que o resultado ruim, desperta questionamentos a atuação desencontrada da equipe titular, a mesma que joga a Série A. Contra um oponente que buscava apenas se defender, o Remo perdeu três boas chances no 1º tempo, com Poveda, Yago Pikachu e Jajá.
As coisas pioraram depois que o temporal alagou o gramado do Baenão, dificultando a troca de passes e as infiltrações na área. O jogo ficou sob feição para os chutões do Monte Roraima e os azulinos custaram a se adaptar à nova situação.
Na etapa final, com a chuva mais branda, o Leão tratou de ocupar o campo de defesa do Monte Roraima, também conhecido como Tamanduá, impondo ações agressivas pelos lados, com Jajá, Pikachu e Patrick. A pressão, com incentivo da torcida, deixou o visitante ainda mais retrancado.
O goleiro André, que havia se destacado na etapa inicial, voltou a se agigantar na partida. Aos 16 minutos, Pikachu avançou na área e foi derrubado pelo goleiro quando ia finalizar. Poveda cobrou o pênalti, batendo forte no canto esquerdo. André fez bela defesa, desviando para escanteio.
Nos minutos seguintes, o arqueiro se consolidou como principal figura em campo, encaixando um chute forte de Alef Manga, que havia substituído Jajá. Aos 24’, porém, não teve jeito. Um cabeceio de Tchamba bateu na trave esquerda e Taliari chegou finalizando. O centroavante substituiu Poveda e marcou seu terceiro gol em três jogos pelo Remo.

A torcida nem teve tempo para comemorar porque uma lambança da zaga remista permitiu ao Monte Roraima empatar, aos 32’, em chute de Nalberth. O Remo não acusou o golpe e seguiu atacando. Taliari quase fez o segundo, mas André estava lá, de novo. Assim como, aos 41’, em chute forte de Zé Welison.
Nos minutos finais, o Remo ligou o modo desespero e ficou cruzando bolas na área, todas afastadas pela defesa roraimense. André, com toda justiça, saiu festejado pelos companheiros como herói da partida.
Insucesso no Parazão atrapalha a vida de Condé
Um mau passo pode comprometer toda a caminhada. É o que acontece com o Remo depois de perder o título estadual para o rival. A decepção gerada deixou um prejuízo extra: a obrigação de fazer uma boa campanha na Copa Norte. Afinal, um time de Série A não pode bater na trave duas vezes em competições de nível técnico inferior.
Acontece que todos os adversários entram em campo particularmente motivados pela chance de superar o Remo da Série A. Foi o que se viu ao longo do Campeonato Paraense e já está se repetindo na Copa Norte, com a derrota para o Porto Velho e o tropeço de ontem, no Baenão.
O que poderia ser missão relativamente fácil para o elenco que Léo Condé tem nas mãos se tornou uma armadilha. Após lançar um time misto na estreia, ele se viu forçado a lançar todos os titulares para tentar reagir no torneio. Não conseguiu, e o Remo corre agora o sério risco de não passar à segunda fase e ainda desgastar peças importantes no afã de se safar.
Papão aposta nas “crias” contra o Guaporé
Com 18 jogadores na lista de relacionados, o Paysandu vai com um time alternativo para o confronto com o Guaporé, amanhã (20h), em Rolim de Moura (RO), pela segunda rodada da 1ª fase da Copa Norte. A opção visa poupar fisicamente o time titular, que vem atuando sempre desde o Campeonato Paraense. Apenas o lateral-esquerdo Cauã Dias, que jogou em várias partidas no ano, é a exceção entre os reservas.
Duas novidades chamam atenção entre os relacionados e podem entrar jogando diante do campeão rondoniense: o zagueiro Bruno Bispo e o meia Lucas Cardoso, contratados logo depois do Parazão.
Titulares absolutos, como Ítalo, Edilson, Marcinho e Kleiton, ficam em Belém se preparando para o jogo de estreia na Série C, dia 5 de abril, contra o Volta Redonda, no Rio de Janeiro.
A comissão técnica elaborou um planejamento para a estreia no Brasileiro, principal competição da temporada, levando em conta garantir descanso e recuperação aos atletas que mais participaram de jogos até agora.
O jogo com o Guaporé representa a chance de afirmação para jogadores como Capixaba, Libonati, Brian, Salomoni, Settimio Artur, Klaivert, Thalyson e Miguel Ângelo, as chamadas crias da Curuzu, apostas do técnico Júnior Rocha desde que chegou ao clube.
Apostas e maracutaias do enrolado Cariocão
A Polícia Civil do Rio descobriu um detalhe importantíssimo sobre a partida Portuguesa 1 x 0 Nova Iguaçu pelo primeiro turno do Campeonato Carioca: apostadores lucraram quase 700% com o jogo e vários atletas também ganharam dinheiro. A competição está sob investigação.
E a coisa piora quando o pacote é desembrulhado: se o Nova Iguaçu tivesse vencido a Portuguesa, o Flamengo não teria sido classificado e teria que disputar o quadrangular de rebaixamento. Mais importante: não teria sido campeão carioca.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 30)
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