Por Luiz Carlos Azenha – via X

O que O Globo alega que a PF fez ou não fez, a menção no jornal a esta ou aquela perícia, tudo isso é irrelevante, pois encoberto pelo sigilo da (s) fonte (s). Nós reles mortais não sabemos DE FATO o que se passou entre a(s) fonte (s) e o jornal. O Globo deu na capa a existência do ‘triplex do Lula’, que a Lava Jato usou para turbinar a investigação e chamar para si o direito de prender e ouvir meio mundo. Lula ficou fora da eleição de 2018, que era o que interessava. O triplex nunca foi do Lula.

Manchetes produzidas para direcionar investigações não são novidade. O próprio Vorcaro pagou 2 milhões a um certo Bastidor para gerar notícia que ele pudesse usar na Justiça. O Globo pode simplesmente ter sido utilizado pelas fontes. O fato de que saiu impresso no jornal não significa nada. A ficha falsa da Dilma saiu impressa na capa da Folha e nem por isso ela é verdadeira.

O DOSSIÊ SERRA

Deixa eu contar para vocês uma história que TESTEMUNHEI pessoalmente sobre vazamentos da PF. Foi em 2006. Na noite de 29 de setembro de 2006 o Jornal Nacional dedicou mais de dez minutos ao vazamento de fotos do dinheiro que a campanha de Aloizio Mercadante (PT) pretendia usar para comprar um dossiê sobre José Serra (PSDB) — ambos candidatos ao governo de SP.

No dia seguinte, 30, foi o assunto das capas de jornais, que naquela época importavam, pois eram expostas nas bancas de todo o Brasil. No dia do primeiro turno, como repórter da TV Globo, eu estava na frente da casa do Serra. Um colega de uma rádio importante de SP me procurou. Ele queria que eu ouvisse a seguinte gravação:

https://youtube.com/watch?v=lQ01wjp0mI8

Ouvi duas vezes. Na gravação, o delegado Bruno, da PF, orientava repórteres a como e quando fazer o vazamento, dizia que ia jogar a culpa numa faxineira da PF e citava uma certa “foto da Globo”. As fotos haviam sido feitas durante uma perícia da PF. Eles contaram o dinheiro. Curiosamente, depois de tirar o dinheiro dos malotes da Protege, montaram uma parede cenográfica de dinheiro — fotos que sairiam no JN e nas capas de jornais. Uma delas seria incorporada à campanha de Alckmin na TV, com a pergunta: “De onde veio o dinheiro?”.

A Globo omitiu a existência da gravação de seus telespectadores. Usou o G1, de alcance limitado à época, para rebater denúncias sobre o vazamento. Folha, Estadão e Veja fizeram de conta que não era com eles. Alckmin passou ao segundo turno, que era o que interessava. Por conta de um delegado da PF que hoje deve estar desfrutando sua aposentadoria! Desde então eu arrepio quando se fala em ‘vazamento’ seletivo de fontes ‘anônimas’.

Sobre o caso que lhes contei. Depois de ouvir a gravação duas vezes, fiz um post e publiquei no Viomundo, meu site então hospedado pela globo ponto com (meu site foi um dos primeiros hospedados pelo então iniciante portal da família Marinho). O diretor da Globo, Carlos Henrique Schroder, me ligou. Ele disse que, como repórter da emissora, meu primeiro compromisso era com a Globo. Eu rebati: meu compromisso número um é com o interesse público. O amigo

Rodrigo Vianna não teve seu contrato renovado em função de se opor publicamente ao comportamento da emissora. Meses depois, pedi rompimento antecipado de meu contrato com a Globo. Tenho no arquivo todos os e-mails sobre o fato, que considero confidenciais. A Globo me concedeu, de maneira extraordinária, o rompimento, desde que eu ficasse fora do mercado televisivo até a data final do contrato. Nunca aconteceu, antes ou depois. Cumpri o que prometi.

Deixe uma resposta

Recent posts

Quote of the week

"People ask me what I do in the winter when there's no baseball. I'll tell you what I do. I stare out the window and wait for spring."

~ Rogers Hornsby

Designed with WordPress

Descubra mais sobre Blog do Gerson Nogueira

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading