
POR GERSON NOGUEIRA
A saída do técnico Juan Carlos Osório, após 13 jogos no comando do time do Remo, configura uma guinada de volta à normalidade. Confuso, excêntrico, disruptivo, atrapalhado. O colombiano deixa atrás de si um rastro de desarrumação e caos, a começar pela incômoda desvantagem na decisão do título estadual. A contratação de Léo Condé, praticamente definida ontem, confirma a busca por um técnico “normal”.
Sem entrosamento e organização, o Remo de Osório se arrastou entre alguns jogos razoáveis (Mirassol, Atlético-MG, Inter e Águia) e atuações horrorosas, como diante de Vitória, Amazônia, Castanhal e PSC, nos dois clássicos até agora realizados.
Curiosamente, Osório, declarado admirador das ideias de Marcelo ‘El Loco’ Bielsa – certamente copiando mais a loucura do que a competência –, também deixa alguns fãs empedernidos por aqui.
Mesmo sem entender bulhufas do que o professor pretendia com os times desconjuntados que escalava, seus defensores lamentam a demissão e alegam injustiça. O técnico deixa um legado de confusão e dúvidas, concentradas principalmente na escolha de jogadores.
Não conseguiu montar um time básico, parecendo se divertir com as experiências desastradas de sua equipe mesclada. Vai passar à história do Remo como o técnico que teve a empáfia de tirar todos os atacantes para reforçar a defesa e ceder o empate quando vencia o Mirassol por 2 a 0.
Num assomo de delírio, Osório escalou quatro zagueiros de uma só tacada (contra o Águia, em Marabá), sem utilizar jogadores pelos lados. Aliás, a ojeriza à figura dos laterais é outra marca de sua curta e inexpressiva passagem pelo Evandro Almeida.
Um técnico regional que fizesse um décimo das lambanças de Osório teria sido demitido ao cabo do primeiro jogo. O excesso de salamaleques a profissionais importados, hábito que não se restringe ao futebol, às vezes conduz a situações constrangedoras.
De todo modo, a possibilidade de retomar a normalidade está aberta com a provável contratação de Léo Condé, que deve se confirmar nas próximas horas. Após boa passagem pelo Ceará, onde ficou por mais de uma temporada, Condé tem no currículo a passagem pela Série A, aparentemente um pré-requisito estabelecido pela diretoria do Remo.
Guto Ferreira seria uma solução mais óbvia e certeira. Teve atuação histórica na Série B 2025, conquistando o acesso à Série A em condições absolutamente improváveis. Mas, além de entraves na negociação, Guto não tem experiência suficiente na Primeira Divisão.
E mais: alguns no clube apontavam Guto como um técnico excessivamente motivador, como se isso fosse um defeito. Bem, é sempre melhor ter um motivador que um desmotivador, como Osório.
Papão descansa, treina e amplia favoritismo
Com a vitória (2 a 1) obtida no primeiro jogo, estabelecendo vantagem na final do Parazão, o PSC aproveita a semana para treinar à espera do grande confronto, domingo (8). Com o elenco quase completo, o técnico Júnior Rocha deve manter o time que iniciou o primeiro clássico da decisão.
O zagueiro Luccão, que saiu no 2º tempo, deve ser confirmado. Caso não possa jogar, o experiente Quintana será o titular na zaga, ao lado de Castro. Nas demais posições, não existem problemas, o que garante um time tão forte e intenso como na apresentação inicial.
O favoritismo decorrente da vantagem do empate é amplificado pelos problemas e incertezas do adversário, que dispensou o técnico Juan Carlos Osório e ainda não confirmou oficialmente a contratação do substituto. Por enquanto, o Remo está sob o comando do auxiliar técnico Flávio Garcia.
Como se sabe, a responsabilidade de encarar uma decisão de campeonato não pode ser entregue a interinos. Nesse sentido, se saiu em vantagem dos primeiros 90 minutos, o PSC se estrutura para chegar ainda mais forte nos 90 minutos que restam para definir o campeão.
Sai a primeira lista de favoritos ao título mundial
A 100 dias do pontapé inicial, dados da Betfair, uma das maiores casas de apostas do mundo, colocam o Brasil entre os cinco favoritos a vencer a Copa do Mundo de 2026, empatado com a Argentina (atual campeã) com 10% de chances. A principal favorita ao Mundial dos EUA, México e Canadá é a Espanha do jovem astro Lamine Yamal, com 17%.
Depois aparece a Inglaterra, com 14%. A França de Mbappé, vencedora em 2018 e vice em 2022, tem 13%. Portugal, do veterano CR7, figura como sexto na lista, com 8%. A chance de a Alemanha conquistar o penta e empatar com o Brasil é de 6%, como a sétima mais cotada.
Quatro seleções que nunca conseguiram vencer uma Copa do Mundo completam o Top 10. São elas: a Holanda do corintiano Memphis Depay, com 5%, a Noruega do goleador Erling Haaland, com 4%; e a Colômbia, de Luis Díaz, do Bayern de Munique, que tem 3% de probabilidades de faturar o título.
O torneio será disputado nos meses de junho e julho.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 05)
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