
POR GERSON NOGUEIRA
O 1º tempo do clássico foi todo dominado pelo Paysandu, exatamente como aconteceu na fase classificatória do campeonato. Com intensidade, postura agressiva e muita aplicação de seus jogadores, o time de Júnior Rocha controlou as ações desde os primeiros minutos. A vitória alviceleste foi construída na etapa inicial e poderia ter sido mais ampla, tamanha a superioridade em campo.
A marcação alta e a grande movimentação, com e sem bola, oportunizou ao PSC duas excelentes chances antes de abrir o placar, aos 6 minutos, com Caio Mello batendo rasteiro da entrada da área, após receber passe de Marcinho e calibrar o chute sem sofrer marcação.
Nos minutos seguintes, a zaga do Remo ficou tão exposta que o PSC teve espaço para marcar novamente. Os zagueiros saíam chutando a esmo, a marcação não encaixava em cima dos atacantes do Papão e até o goleiro Marcelo Rangel demonstrava nervosismo.
O Remo não conseguia organizar um ataque de perigo, perdendo-se em lances confusos no meio-campo. Um aspecto contribuía para isso: Vítor Bueno, articulador da equipe, errava todos os passes no meio, marcado em cima por Pedro Henrique e Caio Mello.
Sem jogadas construídas pelo meio-campo, o Remo não existia ofensivamente. Alef Manga recebia a bola e precisava recuar e João Pedro ficou esquecido entre os zagueiros. O problema maior, porém, era o lado esquerdo da defesa, onde Léo Andrade levava um passeio de Thaylon e Edilson.
A improvisação no setor, um critério adotado pelo técnico Juan Carlos Osório, acabaria sendo responsável pelo segundo gol do Paysandu. Thaylon avançou, sem sofrer combate, e cruzou rasteiro para Marcinho bater em direção ao gol, fazendo 2 a 0.
Na virada para o 2º tempo, Osório fez três mudanças: Leonel Picco, Nico Ferreira e Marcelinho substituíram Pikachu, Diego Hernández e Léo Andrade. Logo nos primeiros minutos, Patrick de Paula recebeu na intermediária e bateu forte em direção ao gol. Foi o primeiro chute do Remo na partida, o que mostra o tamanho da tragédia azulina no jogo.
As mudanças do Remo não surtiram efeito inicialmente porque o PSC seguia mais rápido, ativo e entrosado. Marcinho dominava sua faixa de atuação, distribuindo passes e articulando contra-ataques.
Na frente, depois da saída de Kleiton Pego, lesionado e substituído por Hinkel, o PSC mantinha presença constante, com Ítalo e Thaylon, levando sempre perigo para a desarticulada defensiva do Remo.
Osório lançou Thalisson e Catarozzi no lugar de Zé Ricardo e Patrick de Paula. Com mais gente no meio, o Remo conseguiu sair mais de seu campo, apesar da insistência em passes longos e sem direção.
Aos 28 minutos, finalmente, o ataque azulino deu o ar da graça. Alef Manga foi lançado pela esquerda e bateu cruzado em direção ao gol. Bonifazi interceptou a bola com o braço e o árbitro assinalou o pênalti. João Pedro cobrou e diminuiu.
Mesmo animado com o gol e se beneficiando do desgaste físico do PSC, o Remo continuou com imensas dificuldades para criar lances no ataque. A única boa oportunidade de empate veio aos 47’, quando Nico cruzou e a bola chegou limpa para Alef Manga, mas ele bateu longe do gol.
Vitória justa e merecida do Papão, principalmente pela força do jogo coletivo, com a busca permanente da recuperação da bola e a pressão sobre a última linha adversária. O time fica a um empate do título estadual.
Osório cai, após esgotar a paciência da torcida
Com um sistema de jogo confuso, cuja principal fragilidade sempre foi a falta de entrosamento, Juan Carlos Osório perdeu o clássico ainda no 1º tempo. E o Remo teve sorte: as facilidades dadas ao PSC poderiam resultar em gols que teriam decidido o campeonato antecipadamente.
A demora em promover mudanças impacientava o torcedor azulino nas arquibancadas, mas não abalavam Osório, que começou a ser vaiado logo depois que o PSC fez 2 a 0.
Alheio a tudo, ele se recolheu ao banco de reservas e deixou um auxiliar à beira do gramado. As mudanças só seriam feitas na segunda etapa, com a saída do zagueiro/lateral Léo Andrade, alvo das maiores críticas por parte da torcida azulina. Mesmo contando com um lateral de ofício, Cufré, no elenco, o técnico insistiu com a improvisação na esquerda.
Foi justamente por ali que Junior Rocha concentrou os esforços ofensivos do PSC, com Edilson e Thaylon avançando sobre Andrade e aproveitando o amplo espaço para se movimentar. No clássico da primeira fase, a avenida já havia se desenhado, mas espantosamente foi mantida por Osório.
Após a partida, a notícia sobre a demissão do treinador veio acompanhada das especulações habituais sobre o possível substituto. Léo Condé e Guto Ferreira são os nomes inicialmente lembrados. Guto, pelo excepcional trabalho na conquista do acesso, conta com a preferência da torcida, mas é possível que a diretoria busque outro nome.
Osório, de respeitado currículo internacional, perdeu-se em decisões erradas e na teimosia na escolha de jogadores que não funcionavam no caótico sistema de rodízio estabelecido por ele. Jogadores como Pikachu foram vítimas da desordem tática que marcou a passagem dele pelo Remo.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 02)
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