POR GERSON NOGUEIRA

O Remo entra com o maior peso de responsabilidade na decisão do Campeonato Paraense. O PSC também briga pela conquista, mas não carrega a mesma pressão imposta ao rival. A primeira partida da final será neste domingo (01), às 17h, no estádio Jornalista Edgar Proença.
O fato é que a condição de competidor da Série A faz com que a torcida entenda que o Remo tem a obrigação de ganhar a competição. E essa cobrança não é gratuita. O investimento expressivo na aquisição de reforços e a consequente qualificação do elenco justificam a expectativa do torcedor.
No PSC, a situação é diferente. O time foi montado com dificuldades e cumpre uma campanha digna, apesar dos poucos reforços contratados e da forte presença de garotos da base no elenco.
O trabalho do técnico Júnior Rocha é elogiado e reconhecido, afinal em apenas dois meses de trabalho conseguiu estruturar um time competitivo, que hoje é o líder geral na pontuação. Até mesmo no único embate entre os rivais saiu em vantagem. Apesar do empate, o Re-Pa foi claramente dominado pelo PSC.
Agora a realidade muda. São duas partidas, neste e no próximo domingo (08), o que redobra o desafio para o motivado time do Papão. A torcida abraçou a causa e tem apoiado o time com entusiasmo. Não esmoreceu nem com a notícia da recuperação judicial.
No Remo, que faz uma campanha ainda insatisfatória no Campeonato Brasileiro, o clima é diferente. O técnico Juan Carlos Osório é criticado pela maioria da torcida e saiu sob vaias do Mangueirão, após o empate (1 a 1) com o Internacional.
Tem quase dois meses de trabalho à frente de um elenco de 39 atletas, mas não conseguiu definir um time titular. Adepto da teoria do rodízio como alavanca para a evolução tática, Osório conseguiu desagradar a quase todos no Baenão, incluindo o lateral Sávio, praticamente demitido por ele durante uma entrevista coletiva.

Segue impávido na defesa de seus conceitos e só aceitou usar a força máxima nos jogos do Parazão depois que o Remo quase foi eliminado da competição. As excentricidades de Osório não são vistas com bons olhos pela torcida, embora uma minoria acredite que o caos vai levar ao êxito.
Apesar das ideias de Osório, o Re-Pa deste domingo coloca frente a frente setores de meio-campo entregues a jogadores habilidosos: Vítor Bueno e Marcinho. Mesmo nas formações surpreendentes do Remo, uma norma imutável do jogo impõe que a armação de jogadas seja entregue a meias com capacidade de organização.
A obrigação que ronda o Remo não incomoda o PSC. Em caso de perda do título, Júnior Rocha seguirá no comando da equipe bicolor. O mesmo não se pode dizer em relação a Juan Carlos Osório no Remo.
Bola na Torre
Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 22h, na RBATV, com a participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, o primeiro jogo da grande final do Parazão. Lourdes Cezar e Lino Machado são os editores.
Desafios da profissão mais instável do Brasil
Filipe Luís sente os efeitos da tempestade que desaba sobre times de massa em caso de perda de taças. O Flamengo já perdeu duas neste início de temporada. Dançou para o esforçado Corinthians na Supercopa Rei e agora sucumbiu à correria disciplinada do Lanús em pleno Maracanã.
Para os padrões rubro-negros de exigência e ambição, perder em casa é sempre vexatório. O torcedor não contava com o revés diante de um time de prateleira baixa na Argentina. Típico clube de bairro, o Lanús não tem recursos para formar elencos portentosos. A força está na eficiência de seu jogo coletivo.
As críticas ao Flamengo e seu técnico expõem a dura realidade do futebol profissional no Brasil, onde o risco de demissão é sempre iminente. Depois de ser saudado até como candidato a assumir a Seleção Brasileira no futuro próximo, Filipe Luís já está com a cabeça a prêmio.
Ninguém pode se sentir seguro no movediço ambiente dos grandes clubes brasileiros. Os salários são astronômicos, mas a permanência está sempre por um fio.
Menino Ney continua talentoso como um dublê
No mesmo jogo em que encantou seu fã-clube com dois gols, Neymar deixou patente que continua imbatível na arte da simulação. Em meio a um entrechoque com um jogador do Vasco, desabou no gramado, rolando e encenando ter sido atingido, a fim de ludibriar o árbitro.
A cena teatral e ridícula não iludiu o juiz, afinal todos sabem do que Neymar é capaz. Ninguém esquece o que ele fez na Copa do Mundo de 2018, quando simulou quedas com a eficiência de um dublê de cinema.
(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 28/01)
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